| Aceituno Jr. |
![]() |
| Motorista estava no semáforo da Nações Unidas com Rodrigues Alves quando foi abordado |
A oferta de serviço para limpar o para-brisa foi a armadilha utilizada por um criminoso para assaltar um homem de 62 anos no cruzamento entre as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves, no Centro de Bauru. De acordo com a vítima, ao parar o carro no semáforo, o desconhecido ofereceu o serviço, quando outro indivíduo se aproximou e apontou um revólver. Ambos teriam obrigado o condutor a entregar o celular e uma corrente de ouro.
O caso foi registrado por volta das 23h15 de anteontem e o horário chamou a atenção do comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume. "Não é o horário de atuação destes limpadores e é uma situação bastante incomum. Recebemos reclamações sobre importunação, mas nada relacionado à criminalidade", frisa, cogitando a possibilidade de o assaltante ter fingido trabalhar nas ruas para conseguir distrair e se aproximar da vítima, que não se feriu.
Apesar da suspeita, o caso levantou novamente a discussão sobre a presença de limpadores de para-brisa nos semáforos de Bauru. Kitazume reforça, no entanto, que a PM não tem autonomia para proibir este tipo de atividade e defende que a retirada destas pessoas das ruas seja feita a partir de uma abordagem social.
"Na própria Nações com a Rodrigues Alves, fazemos pontos de estacionamento constantes e todas as informações que chegam até nós são checadas. Mas apenas a implementação de políticas públicas pode resolver esta situação de maneira efetiva", frisa.
INFORMALIDADE
Para o comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Bruno Mandaliti, uma saída seria identificar estas pessoas por meio de cadastro e, se possível, formalizar este tipo de atividade no município. "Foi algo que aconteceu com mototaxistas e vendedores ambulantes, por exemplo. Com a regularização do serviço, fica mais fácil fiscalizar e a tendência é de redução no número de reclamações", pondera.
Diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), a assistente social Fátima Monari destaca que nem todas as pessoas que oferecem produtos e serviços nos semáforos são moradores de rua. Para os que não têm residência fixa, ela lembra que o município oferece atendimento no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e nas casas de passagem.
"Sabemos que o índice de pessoas nos semáforos está alto, mas muitas, inclusive, são pais de família que perderam o emprego e estão buscando meios para sobreviver. É um momento complicado da economia e estamos fazendo o reordenamento do nosso serviço para encontrar soluções para esta realidade", completa.
