Política

Antigas linhas de trem balizarão o futuro da mobilidade em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Se no passado as ferrovias tiveram papel importante no desenvolvimento de Bauru, hoje estão quase esquecidas. Mas é nestes espaços que a cidade aposta para garantir a mobilidade urbana no futuro. E inicialmente, não com o uso de trens, mas aproveitando as margens das linhas férreas para construir ciclovias que cruzarão a cidade, dando mais uma opção de deslocamento.

Este é o eixo principal do Plano Municipal de Mobilidade, que voltou a ser debatido recentemente. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), inclusive, confirmou ao JC que já enviou pedido ao governo federal para que Bauru tenha um grande traçado cicloviário, com recursos a fundo perdido. O custo total é estimado em R$ 30 milhões, e as ciclovias contarão com iluminação de LED, para permitir o uso no período noturno com segurança, e toda a sinalização necessária, além de se integrarem em pontos estratégicos.

Hoje, as poucas ciclovias existentes praticamente ligam "o nada ao lugar nenhum", pois não se conectam entre si. Duas são mais utilizadas: a que vai do Núcleo Geisel até o campus da Unesp (usada principalmente por estudantes da universidade), e a que vai do Núcleo Octávio Rasi até o Distrito Industrial I (usada poro trabalhadores que residem no bairro e trabalham no Distrito). As outras existentes são na Avenida Jorge Zaiden (Água Comprida), e na Nações Unidas Norte. No restante da cidade, o que existem são ciclofaixas.

Além das margens das ferrovias, o traçado futuro prevê o uso de canteiros de avenidas. A primeira que deve receber uma ciclovia, segundo o prefeito, é a Comendador José da Silva Martha. Depois, outras devem contar com o dispositivo, que se interligará com as ciclovias próximas de linhas férreas, caso o planejamento se concretize.

EIXOS

De acordo com dados da Seplan e Emdurb, há um eixo claro de deslocamento do bauruense. Há maior concentração populacional nas regiões norte, noroeste e oeste da cidade (em bairros como Nova Esperança, Jaraguá, Santa Edwirges, Bela Vista, Falcão, São Geraldo, Gasparini, Pousada da Esperança, Ouro Verde, Ipiranga, Vila Dutra, Vila Industrial e Independência, entre outros), enquanto os polos de geração de empregos estão nas regiões central e sul (que concentram o comércio e serviços), e em parte da região leste, que tem dois Distritos Industriais.

Isso gera um fluxo pendular diário de pessoas que praticamente atravessam a cidade para ir ao trabalho, saindo das zonas norte/oeste/noroeste, em direção ao Centro/sul/leste, com retorno no sentido oposto ao fim do dia. Os números de embarque do transporte coletivo ajudam a Emdurb a mapear esses dados, aferindo que essas são as regiões com maior demanda - além dos milhares de bauruenses que utilizam transporte individual, como carro e moto.

A instalação de ciclovias às margens das atuais ferrovias ajudaria a aliviar a demanda, pois permitiria a ligação das regiões oeste e noroeste (por onde passam as linhas da antiga Noroeste do Brasil e da Paulista) até a região leste (na continuação da linha da antiga Paulista) e região sul (através da antiga linha da Sorocabana).

Para um futuro mais distante, também é cogitada a possibilidade de Bauru implantar Veículos Leves sobre Trilhos (VLT), aproveitando a malha ferroviária já existente e dando mais uma opção ao transporte coletivo urbano, que já conta com os ônibus circulares. Já no aspecto urbanístico, a cidade precisará buscar novos eixos de geração de emprego, como já acontece em algumas avenidas e ruas principais de bairros que são polos comerciais e de serviços (Castelo Branco, Marcos de Paula Raphael, Rafael Pereira Martini, Campos Salles, Bernardino de Campos, Floresta e Praça dos Expedicionários, por exemplo), além de possíveis novos distritos e minidistritos industriais nas zonas norte, oeste ou noroeste de Bauru, na qual já existe o Distrito Industrial III.

Pedestres

As ferrovias, que impulsionaram o desenvolvimento de Bauru no passado, podem ter um papel importante à mobilidade urbana no futuro. A ideia é aproveitar as margens das linhas férreas para construir ciclovias que cruzarão a cidade, dando mais uma opção de deslocamento.

Este é o eixo principal do Plano Municipal de Mobilidade, que voltou a ser debatido recentemente. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), inclusive, confirmou ao JC que já enviou pedido ao governo federal para que Bauru tenha um grande traçado cicloviário, com recursos a fundo perdido. O custo total é estimado em R$ 30 milhões. As ciclovias contarão com iluminação de LED, para permitir o uso no período noturno com segurança, e toda a sinalização necessária, além de se integrarem em pontos estratégicos (veja no mapa ao lado).

Hoje, as poucas ciclovias existentes praticamente ligam "o nada ao lugar nenhum", pois não se conectam entre si. Duas são mais utilizadas: a que vai do Núcleo Geisel até o câmpus da Unesp (usada principalmente por estudantes da universidade) e a que vai do Núcleo Octávio Rasi até o Distrito Industrial 1 (usada por trabalhadores que residem no bairro e trabalham no Distrito). As outras existentes são na avenida Jorge Zaiden (Água Comprida) e na Nações Unidas Norte. No restante da cidade, o que existem são ciclofaixas.

Além das margens das ferrovias, o traçado futuro prevê o uso de canteiros de avenidas. A primeira que deve receber uma ciclovia, segundo o prefeito, é a Comendador José da Silva Martha. Depois, outras devem contar com o dispositivo, que se interligará com as ciclovias próximas de linhas férreas, caso o planejamento se concretize.

EIXOS

De acordo com dados da Seplan e Emdurb, há um eixo claro de deslocamento do bauruense (veja na ilustração ao lado). Há maior concentração populacional nas regiões Norte, Noroeste e Oeste da cidade (em bairros como Nova Esperança, Jaraguá, Santa Edwirges, Bela Vista, Falcão, São Geraldo, Gasparini, Pousada da Esperança, Ouro Verde, Ipiranga, Vila Dutra, Vila Industrial e Independência, entre outros), enquanto os polos de geração de empregos estão nas regiões Centro e Sul (que concentram o comércio e serviços), e em parte da região leste, que tem dois Distritos Industriais.

Isso gera um fluxo pendular diário de pessoas que praticamente atravessam a cidade para ir ao trabalho, saindo de suas residências pela manhã e fazendo o sentido oposto ao fim do dia. Os números de embarque do transporte coletivo ajudam a Emdurb a mapear esses dados, aferindo que essas são as regiões com maior demanda - além dos milhares de bauruenses que utilizam transporte individual.

ALÍVIO

A instalação de ciclovias às margens das atuais ferrovias ajudaria a aliviar a demanda, pois permitiria a ligação das regiões Oeste e Noroeste (por onde passam as linhas da antiga Noroeste do Brasil e da Paulista) até a região Leste (na continuação da linha da antiga Paulista) e região Sul (através da antiga linha da Sorocabana).

Para um futuro mais distante, também é cogitada a possibilidade de Bauru implantar Veículos Leves sobre Trilhos (VLT), aproveitando a malha ferroviária já existente e dando mais uma opção ao transporte coletivo urbano, que já conta com os ônibus circulares. Já no aspecto urbanístico, a cidade precisará buscar novos eixos de geração de emprego, como já acontece em algumas avenidas e ruas principais de bairros que são polos comerciais e de serviço, além de novas rotas do desenvolvimento. Inclusive, conforme o JC trouxe ontem, o município aposta na Zona Norte como a nova rota para fazer a cidade crescer com indústrias e moradias e, consequentemente, maior qualidade de vida ao bauruense.

Audiência

O Plano Municipal de Mobilidade começou a ser desenvolvido em 2011, parou e agora está sendo retomado, através da Secretaria de Planejamento (Seplan), com apoio da Emdurb e de membros da sociedade civil. A meta é concluir os estudos até o começo de 2018, e entrega-lo em forma de minuta de projeto de lei para a Câmara Municipal, pois todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes precisarão ter estudos do gênero até abril de 2018 para continuarem tendo acesso a recursos federais no setor de mobilidade (transportes, asfalto, entre outros).

O tema foi alvo de audiência pública recente na Câmara, chamada pelo vereador Manoel Losila (PDT). Na ocasião, a arquiteta Ellen Fonseca Castro, da Seplan, e Fabiana Lima, da Emdurb, explicaram como serão os trabalhos de continuidade do Plano, que envolverá reuniões nos bairros e zona rural, uma Conferência Municipal, possivelmente no final deste ano, e depois uma audiência pública na Câmara, entregando em seguida o texto do Poder Executivo aos vereadores para apreciação a partir de fevereiro de 2018. Todas as etapas contarão com participação do Conselho Municipal de Mobilidade.

Na mesma audiência, o vereador Fábio Manfrinato (PP) também esteve presente e destacou o projeto de Rotas Acessíveis, que consiste em uma série de melhorias nas principais avenidas da cidade para melhorar o deslocamento de pessoas com deficiência, conforme o JC já noticiou. As avenidas Nações Unidas e Getúlio Vargas foram as primeiras, com implantação de guias rebaixadas nas calçadas das esquinas e também no canteiro central. Outras vias receberão as melhorias na sequência.

 

 

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