| Christian Hartmann/Reuters |
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| Diana recebe homenagens em Paris, onde morreu em acidente: lá e aqui, segue inesquecível |
Considerada a "princesa do povo", Diana tinha como uma de suas marcas a atividade filantrópica. Há 20 exatos anos, um acidente colocou um ponto final nessa e em outras histórias que cercam Diana Frances Spencer ou, simplesmente, Lady Di. Não só os então garotos príncipes Willian e Harry choraram a perda prematura da mãe, que tinha 36 anos, mas a comoção se espalhou por toda parte e, ainda hoje, repercute.
Naquela noite de 31 de agosto de 1997, um sábado, Diana estava em carro com o seu namorado, Dodi Al Fayed, como sempre, perseguida por fotógrafos. Em meio ao habitual corre-corre, um grave acidente no túnel da Ponte de l'Alma, em Paris, França e, por volta de 1h da manhã de domingo, o anúncio da morte do casal.
| Samantha Ciuffa |
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| Elvira Aguiar sugeriu o nome da princesa para uma sobrinha |
Em Bauru, a aposentada Elvira Ferreira de Aguiar,67, lembra que recebeu essa notícia com tristeza, já que gostava muito da princesa. "Eu achava ela uma pessoa muito boa e, por isso mesmo, sugeri até que colocassem esse nome na minha sobrinha", conta.
O mesmo pesar foi comentado pela jornalista Rosane Galícia Coutinho Bender, 59, que sentiu a perda mesmo sendo alguém distante. "Eu fiquei chocada quando soube. Apesar de a gente não ter contato nenhum, ser outro mundo, é muito triste. Ela era uma pessoa muito carismática e atuante", afirma.
| Samantha Ciuffa |
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| Rosane Coutinho: Lady Di era muito atuante e carismática |
IDENTIFICAÇÃO
O psicanalista e escritor gaúcho Mário Corso afirma por telefone, ao JC, que a figura de Diana propiciava essa identificação popular. "Ela era da baixa nobreza, ou seja, fez um caminho de ascensão, ela 'chegou lá'. A família real é vista de uma forma ambígua pelos britânicos, eles amam e odeiam, mas ela era só amada. Era mais fácil para haver essa identificação porque ela veio do povo e representava as pessoas", afirma.
Além disso, segundo ele, isso também se justifica pela necessidade do ser humano de criar modelos a serem seguidos. "Nós aprendemos desde cedo a imitar, e a gente não para de precisar modelos para se identificar. Nós derrubamos monarquias do ponto de vista político, mas não do ponto de vista das idealizações. Então, de algum jeito, nós acabamos idolatrando essas pessoas mesmo que quando a criamos essa realeza, como o 'rei Pelé' e o 'rei Roberto Carlos'", explica.
INVERSÃO
Familiarizados com os contos de fadas, Mário Corso e a esposa, também uma Diana (Lichtenstein Corso), também psicanalista são autores dos livros "Fadas no divã - Psicanálise nas histórias infantis" e "A psicanálise na terra do nunca" e citam a vida da princesa Diana como um exemplo de "cinderela sem final feliz".
"Ela é como uma cinderela, mas num lugar inverso. Ao invés da ascensão que teve na vida causar o 'feliz para sempre', ela era uma princesa insatisfeita e 'infeliz para sempre'. Ela não sofria na mão das irmãs, mas era como se a rainha mãe fosse a madrasta e a família real maltratando ela. Ela sabia fazer o papel de princesa, mas o mundo todo sabia que ela sofria muito, tinha transtornos alimentares, lidava com a frieza do príncipe, foi traída e o povo acompanhou a sua dor", comenta a profissional.
Segundo a psicanalista, a princesa modelo dos contos de fada atuais, é uma mulher corajosa, guerreira e valente. "A Lady Di foi a primeira princesa midiática, dialogou com o seu público e foi a que mais se aproximou de ser uma princesa dos contos de fadas contemporâneos", comenta.
VOCÊ SABIA?
“Você bradou para nosso país e sussurrou para aqueles que sofriam. Agora você pertence ao céu e as estrelas soletram seu nome”, dizia o trecho da letra de “Candle In The Wind” de Elton John, em tradução livre. A música foi adaptada pelo cantor, que era um grande amigo de Diana, para ser cantada no funeral dela.
"EU LI NO JC"
| Samantha Ciuffa |
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| 20 anos da morte da Princesa Diana |
A notícia que ganhou as páginas dos jornais brasileiros apenas em 1 de setembro de 1997, por conta do horário avançado, já estava como manchete do Jornal da Cidade na própria edição de 31 de agosto. Para isso, o editor-chefe na época, João Jabbour, conta que uma equipe composta por ele, a diagramadora Marisa Moura e a então editora do caderno de Internacional, Érica Dios, voltou à redação assim que soube da morte de Diana.
"Mais do que fechada, a edição estava sendo impressa. Após a autorização do diretor Renato Zaiden, tivemos de descartar milhares de exemplares que já tinham sido rodados. Como já tínhamos o recurso de agências, rapidamente, colocamos a matéria como manchete com a foto do acidente e de Lady Di e o namorado", comenta.
Como a confirmação do óbito veio durante a madrugada já de domingo no Brasil, o bauruense foi surpreendido pela matéria no jornal logo cedo. "Quando o jornal impresso consegue informar algo que ocorre poucas horas antes é marcante, ainda mais naquele tempo. Foi esse esforço de edição que fez com que, ao que sabemos, apenas nós e um jornal do interior do Rio Grande do Sul trouxessem a notícia no próprio dia em veículo impresso", conclui.
Vinte anos depois, nas ruas de Bauru, o JC encontrou Carlos Alberto de Godoy, 42, que confirma: esse esforço em prol do leitor foi válido. "O acidente aconteceu na madrugada e, pela manhã, eu já li no JC", relembra. "Guardo uma lembrança boa da princesa: era uma pessoa do bem", conclui.
LADY DI MANTÉM FORTE INFLUÊNCIA
| Gonzalo Fuentes/Reuters |
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| Em Paris, flores e fotos são depositadas em memorial |
A grade televisiva do Reino Unido está ao longo desta semana repleta de especiais sobre a vida de Lady Diana Spencer. A programação demonstra o quão popular ainda é a princesa britânica que morreu há 20 anos, vítima de um acidente de carro em Paris, em 31 de agosto de 1997.
A frente do palácio de Buckingham, em Londres, converteu-se em um memorial à Lady Di desde a última terça-feira. Diante das grades da residência oficial da família real, admiradores depositam buquês de flores, fotos e mensagens à princesa do povo, repetindo o cenário de luto desde 1 de setembro de 1997. O mesmo ocorre em Paris.
Na época, Diana de Gales, então com 36 anos, estava havia um ano divorciada do príncipe Charles, herdeiro do trono britânico. Ela acompanhava seu namorado, o produtor de cinema egípcio Dodi Al Fayed, durante a tragédia. O automóvel do casal bateu em uma pilastra enquanto tentavam se esquivar de fotógrafos paparazzis.
Além da intensa popularidade mesmo após duas décadas de sua morte, a princesa também mantém forte influência sobre a família real. A tragédia de Di expôs a rigidez das tradições monárquicas do Reino Unido, que tiveram de rever sua imagem pública e modernizar o modo de se comunicar.




