| Fernanda Botelho/Divulgação |
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| Maestro José Magalli é o regente da Orquestra de Cordas de Santa Cruz do Rio Pardo. Lins, Lençóis e Santa Cruz mantêm orquestras sinfônicas, de cordas e de sopros, possibilitando levar música de qualidade |
A música ainda é o melhor caminho para a educação e até a inclusão social. Mesmo com toda a dificuldade que muitos municípios enfrentam, em pelo menos quatro cidades da região vem mantendo um projeto de orquestras sinfônicas, de cordas e de sopro. Botucatu, Lins, Lençóis Paulista e Santa Cruz do Rio Pardo estão nesta lista de incentivo à cultura.
A Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu iniciou suas atividades no dia 21 de dezembro de 1986. Mantida com recursos municipais, ela conta atualmente com 38 músicos distribuídos em instrumentos de cordas, sopros e percussão. Ela está sob a regência do maestro peruano Fernando Ortiz de Villate. A criação oficial ocorreu em 26 de agosto de 1987 quando foi sancionada a Lei Municipal 2.644 que instituiu a OSMB, que iniciou sua história com o objetivo de disseminar a música clássica e popular por meio de apresentações e concertos didáticos em escolas, universidades, igrejas, locais públicos e no Teatro Municipal, onde mantém ensaios abertos, todas às segundas-feira.
Durante sua trajetória fez apresentações na Sala São Paulo, em festivais de inverno de Botucatu, Bauru, Londrina e Campos do Jordão, em programas de TV como "Viola Minha Viola", da TV Cultura, e "Programa do Jô", da Rede Globo.
Em Lins, com população menor, está em atividade a Orquestra Sinfônica Jovem (OSJL), fundada em novembro de 2011. Seu regente titular é o maestro João Fernando Paluan, com vários cursos de aprimoramento e especialização em música no Brasil e no exterior.
Conforme Paluan, desde 2013 a Orquestra tem seus projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet e recebe apoio da Prefeitura de Lins, contando também com o patrocínio do Grupo Bradesco. Recentemente obteve a aprovação da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para captação de recursos por meio do Proac-ICMS.
Em Lençóis Paulista, a Orquestra Municipal de Sopros "Maestro Agostinho Duarte Martins" iniciou suas atividades em julho de 1995, é uma entidade mantida pela Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista.
Sob regência do maestro Marcelo Maganha, atual diretor de Cultura do município, a Orquestra já realizou concertos e espetáculos em diversas cidades do Estado de São Paulo e também com convidados de outros países, além de shows com Sérgio Reis, Trio Los Angeles, Renato Teixeira e, em 2016, participou do CD e DVD de 40 anos da dupla Cezar & Paulinho.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, um projeto social desenvolvido no Centro de Referência de Assistência Social "Elisabete Soares de Carvalho", o Cras "Betinha", do Bairro São José, recebe crianças e adolescentes da Vila Divineia, Bom Jardim e Vila Fabiano. O maestro José Magalli é o idealizador do projeto. "Deu muito certo. As crianças e adolescentes aprendem rápido. Os mais novos não têm preconceito em aprender. Não tenho problemas de indisciplina", revela.
Sinfônica de Botucatu tem 30 anos
Composta de 38 músicos profissionais, a estrutura é bem elaborada e conta com apoio da prefeitura que destina verba para manutenção?
| Fotos: Divulgação |
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| A Orquestra Sinfônica de Botucatu está ligada à Secretaria da Cultura já se apresentou na Sala São Paulo e Campos do Jordão |
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| Ensaio da Orquestra Sinfônica ocorre toda segunda-feira no Teatro Municipal de Botucatu |
Mantida com recursos do Orçamento da prefeitura, a Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu (OSMB) é composta na atualidade por 38 músicos. Já se apresentou na Sala São Paulo, na Capital, e no Festival de Campos do Jordão. É uma corporação musical profissional com maestro, montadores e arquivista. Por ano são investidos R$ 456 mil para manter toda a estrutura, mas há planos de buscar parcerias privadas.
O clarinetista e diretor administrativo da OSMB, Franklin Ramos, formado pelo Conservatório de Tatuí, entrou sete anos depois da fundação do grupo. Ele conta como foi a fundação da orquestra. "Começou com dois amigos que estudavam no Conservatório de Tatuí. Eles tinham vontade de ter uma orquestra. Na época conversaram com o prefeito Jamil Cury que gostou da ideia e se dispôs a ter uma orquestra sinfônica em Botucatu", lembra Franklin.
Por ano são de sete a dez apresentações a maior parte em Botucatu. O custo é alto para levar a OSMB a outros municípios. É necessário ao contratante cobrir despesas de transporte, hospedagem e o cachê dos músicos. De acordo com estimativas, a despesa fica em torno de R$ 8 mil, mas já houve apresentações fora da cidade, como em 2016 no Festival de Inverno de Campos do Jordão e em 1998 na Capital.
O maestro Fernando Ortiz de Villate assumiu a regência da OSMB há um ano, mas na fundação da corporação musical, o maestro Antonio Pereira, do Conservatório de Tatuí, é que começou a estruturar após convite a outros alunos botucatuenses para fazer parte da Orquestra, formada por 22 músicos.
O começo foi bem amador com um repertório simples e dependente de uma pesquisa de repertório, mas ao longo de três décadas, por volta de 2000, veio o maestro Marcos Virmond que deu roupagem nova com músicas diferentes, conceitos diferentes e uma evolução técnica.
O diretor administrativo admite que manter a Orquestra é um desafio para o município, embora tenha encontrado muito apoio. "São tantas as prioridades em uma administração, como Educação, Saúde e outros setores, às vezes fica de lado a orquestra. Mas a nova gestão tem apoiado muito, mas quanto mais queira investir a prefeitura não tem tantos recursos", comenta Ramos.
O repertório não é somente de música erudita. É bem misturado para agradar todo tipo de público. "Na verdade, tem que fazer de tudo, se for só o tradicional, o erudito, às vezes não agrada o público. Mesmo o repertório erudito o maestro escolhe as (músicas) mais conhecidas", conta.
Os ensaios são de segunda-feira das 19h30 às 22h30 no Teatro Municipal. Entre os planos futuros da OSMB está a parceria com entidades privadas, conta o diretor administrativo da Orquestra, Franklin Ramos. Já houve contatos com o prefeito Mário Pardini (PSDB) que se pôs à disposição. Em breve, será inaugurada a Pinacoteca e existe plano de criar uma associação que poderá também encampar a orquestra.
Entidade sem fins lucrativos mantém orquestra jovem de Lins?
| Divulgação |
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| Orquestra Sinfônica Jovem de Lins durante apresentação com a coralista Adriana Oliveira |
A Orquestra Sinfônica Jovem de Lins (OSJL) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) mantida com recursos por meio de lei de incentivos fiscais e aporte da prefeitura de Lins. Fundada em 2011 tem se apresentado nos municípios da região.
Conta com 84 integrantes, 30 instrumentistas e 54 integrantes do coral, reunindo músicos de várias cidades do entorno de Lins como: Bauru, Catanduva, Duartina, Lençóis Paulista, Marília, Novo Horizonte, Penápolis, Promissão e Rio Preto. A média de idade dos instrumentalistas da Orquestra é de 19 anos, de acordo com o gerente executivo, Rubens Meneguello Jr.
Desde 2013, a OSJL tem seus projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura para obtenção de incentivos fiscais por meio da Lei Rouanet. O Bradesco é um dos fortes patrocinadores. A Orquestra pode captar até R$ 550 mil, mas não alcança esses valores. Em média são R$ 200 mil captados pela lei Rouanet e aportes do município. Os músicos têm direito a receber uma ajuda de custo. A OSJL começou como uma camareta de cordas e tem uma história interessante. No final de 2011 passou para orquestra sinfônica.
O regente titular é o maestro João Fernando Paluan que foi professor de música por 22 anos na USP e esteve um período no México. Para descobrir Lins aconteceu um imprevisto. Após conseguir um afastamento sem remuneração da Universidade, Paluan conta que, no primeiro ano, que veio passar as férias no Brasil, ele sofreu um enfarte na antevéspera do retorno para o México. Isso mudou a sua vida. Teve que passar por cirurgia e ficou mais de 12 meses afastado, o que resultou na perda do emprego na USP.
Após se recuperar da saúde, tomou conhecimento de que a cidade de Lins tinha planos para montar uma Orquestra de Cordas. Foi quando ele veio para o Interior. Mas para virar Orquestra Sinfônica teve um fato muito importante na gestão do ex-prefeito Waldemar Casadei. A filha dele, Patricia Casadei, violinista há 35 anos na Orquestra Sinfônica da USP, pediu a Paluan para tocar na Orquestra de Câmara no dia de aniversário do pai. "Foi feita uma surpresa para o então prefeito que se emocionou e no palco anunciou que queria criar a Sinfônica de Lins. Isso já no final do mandato dele", relembra o maestro.
O prefeito Edgar de Souza (PSDB) que, assumiu em seguida à gestão de Casadei, manteve o projeto. "Ele deu apoio total. Hoje o público que comparece aos nossos eventos em média é de 900 pessoas", diz o regente.
Paluan conta que, no início o repertório, foi bem variado para formar público. "Tem que formar plateia, não adianta ter orquestra e não ter plateia. No início incluía música bem conhecida. Isso deu muito certo", finalizou o maestro.
Projeto ajuda na inclusão social
Orquestra de Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo é formada por crianças e adolescentes de bairro periférico e mantida com lei de incentivo fiscal
| Fotos: Fernanda Botelho/Divulgação |
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| Orquestra de Câmara conta com apoio de empresas de Santa Cruz por meio de lei de incentivos fiscais e tem sede no Centro de Referência Social do município |
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| Maestro José Magalli, da Orquestra de Câmara de Santa Cruz |
A Orquestra de Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo é um exemplo de como a própria sociedade pode fazer diferente. O projeto de inclusão social reúne crianças e adolescentes e já tem 40 músicos. O maestro José Magalli Junqueira é o idealizador do projeto. É mantida com recursos captados por meio de lei de incentivos fiscais com colaboração de grandes empresas do município.
A orquestra ensaia no Centro de Referência de Assistência Social "Elisabete Soares de Carvalho", o Cras "Betinha", do Bairro São José, onde recebe crianças e adolescentes da Vila Divineia, Bom Jardim e Vila Fabiano.
As aulas são de violino, viola clássica, violoncelo e contrabaixo. "O projeto é uma Orquestra de Câmara, porque pretendo manter um grupo pequeno, mas de repente pode até se transformar no futuro em Orquestra Sinfônica, mas não tenho essa pretensão. Uma sinfônica exige mais instrumentos. Na verdade, a orquestra de cordas é a base da sinfônica", explica o maestro.
Com muita experiência na área, professor José Magalli sempre manteve com recursos próprios grupos menores de músicos, mas a atual experiência surgiu quando participou de um curso com o famoso maestro Julio Medaglia. Havia uma dificuldade de manter a orquestra sem recursos públicos em Santa Cruz, problema recorrente em qualquer cidade. Foi quando Medaglia sugeriu ao professor que se buscasse um projeto social para obter a ajuda financeira e simpatia da população.
O maestro contou com o apoio do empresário Erik Manfrin, da Special Dog, que se simpatizou com o projeto e junto com outros empresários formaram a associação que possibilita a captação de recursos pelo Programa de Ação Cultural (Proac), instituído por lei estadual, que oferece à empresa contribuinte do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a oportunidade de patrocinar a produção artística e cultural de São Paulo, apoiando financeiramente projeto credenciado pela Secretaria de Estado da Cultura.
A empresa repassa até 3% do ICMS por meio do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. A equipe de captação de recursos do projeto, representada pela Afaf Consultoria, iniciou o trabalho junto às empresas. É uma estrutura bem profissional.
Atualmente as empresas apoiadoras do projeto são: Special Dog, Solito, Guacira Alimentos, Santa Massa, Hidroceres e Rede Graal.
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Jovem aprende rápido
Inicialmente a orquestra começou com 30 integrantes, mas aumentou para 40 neste ano. Para ter mais músicos é necessário mais instrumentos que são adquiridos pelos mantenedores. O maestro José Magalli comenta com entusiasmado o bom desempenho dos jovens músicos, porque as crianças têm facilidade para aprender.
"Não tem problema de indisciplina dos alunos nas aulas. Agora acrescentei história da música e boas maneiras, alguns conceitos como você deve cumprimentar e agradecer. A escola e a família não passam isso. É muito interessante, eles não têm preconceito ao tocar música. Fizemos um arranjo do funk "Malandramente" e a versão para cordas dá um aspecto erudito", comenta o professor.
Mas os alunos também tocam Vivaldi e peças clássicas. "O repertório é bem eclético. Vai do clássico, gospel ao popular, além da participação da cantora Joira. Esses dois anos valeram a pena", acrescentou o professor.
Os ensaios da Orquestra de Câmara Santa Cruz acontecem às terças e quintas das 16h às 20h. Aos sábados, o ensaio geral é das 9h às 12h. A equipe pedagógica, composta de mais professores, ensina violino, viola clássica, violoncelo, contrabaixo acústico, teoria musical e história da música, sob a supervisão técnica e artística de José Magalli Junqueira.
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Músicos de Lençóis já gravaram com dupla sertaneja famosa
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| Com 22 anos de atividades, orquestra de sopros é mantida pela prefeitura de Lençóis Paulista |
Com 22 anos de atividades, a Orquestra Municipal de Sopros "Maestro Agostinho Duarte Martins" de Lençóis Paulista tem um sede própria para os ensaios na Casa da Cultura de 200m² quadrados com toda acústica. Ela é considerada referência regional e estadual. Já gravou no ano passado numa feira agropecuária DVD de 40 anos da famosa dupla Cezar & Paulinho e, em novembro de 2008, lançou seu primeiro CD e DVD com arranjos encomendados com diversos profissionais do Brasil, Argentina, Estados Unidos, escritos especialmente para ela.
Sob regência de Marcelo Maganha, a corporação musical é mantida com recursos públicos municipais. A prefeitura destina cerca de R$ 300 mil por ano para o custeio de todas as despesas.
Composta de 47 músicos na faixa etária de 15 a 56 anos com média de 20 apresentações por ano, mas já chegou a 38. Recentemente foi convidada pelo Governo do Estado para gravar o Hino da Polícia Militar e do 4º BPMI de Bauru.
A Orquestra iniciou suas atividades em julho de 1995. Preocupada com a formação de novos músicos, a Orquestra têm um trabalho de base denominado Banda Sinfônica Jovem, que atualmente conta com mais de 40 alunos, além de outros grupos como Orquestra (Big Band) "Cidade do Livro" e Quinteto de Metais "Metais & Cia".
O seu repertório é amplo, contemplando do erudito ao popular e o folclórico, sempre buscando um elevado padrão estético-artístico nas composições ou arranjos interpretados.
A Orquestra já realizou mais de 900 concertos e espetáculos em diversas cidades do Estado de São Paulo e também com convidados de outros países, além de shows com Sérgio Reis, Trio Los Angeles, Renato Teixeira. Já se apresentou no Festival de Inverno de Campos do Jordão em 2013 e 2104.
Em 22 de setembro deste ano, estão previstos dois concertos de bolero com participação do maestro e arranjador argentino Pablo Del' Oca no Teatro Municipal de Lençóis.
O maestro Marcelo Maganha contou ao JC que a Orquestra é muito requisitada para apresentações e convidada para gravar CD e DVD. "Anualmente sempre tem concerto agendado tanto em Lençóis como nos municípios da região e recebemos convites também internacionais", ressalta o regente.
O repertório é bem eclético para todo tipo de público que vai do popular a peças eruditas. Maganha destaca que para dois franceses que estiveram recentemente em Lençóis a Orquestra tocou "Quadros de uma Exposição", uma peça (suíte) escrita para piano por Modest Mussorgsky em junho de 1874. "É uma obra executada pelas maiores orquestras do mundo", contou.
Neste domingo (3), a Orquestra Municipal de Sopros de Lençóis Paulista levará para o Teatro Municipal Renata Lycia dos Santos Ludovico, em Macatuba, o projeto: "Orquestra de Sopro de Lençóis Paulista convida Eduardo Santhana".
O projeto é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura com o patrocínio do Grupo Lwart por meio do ProAC/ICMS.
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