Articulistas

Muito além da nostalgia

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Você já imaginou Lobão cantando "Planeta Água"? E acompanhado de violas e violões que ele mesmo gravou? Prepare-se: goste ou não goste, já está feito. Lobão, aliás, vai regravar também "Toda Forma de Poder", dos Engenheiros do Hawaii, e "Lanterna dos Afogados", dos Paralamas - banda de seu desafeto Herbert Vianna.

Paralamas que acaba de lançar "Sinais do Sim", décimo terceiro disco da carreira. Ainda perdem para Guilherme Arantes com seu ensolarado "Flores e Cores", vigésimo primeiro álbum de inéditas (vigésimo sétimo de estúdio) e que acaba de sair do forno com 12 ótimas canções bem ao estilo pop anos 80.

Assim como também são 12 as canções do décimo oitavo trabalho de Tetê Espíndola composto com parceiros de longa data, um disco super zen. Não esquecendo, claro, Chico Buarque e seu caprichado álbum "Caravanas" (número 23 de estúdio na discografia buarquiana).

Tem, ainda, Paulo Miklos e seu terceiro disco-solo, "A gente mora no Agora", que é muito interessante. E - vá lá - o segundo dos Tribalistas (talentosos demais individualmente, mas não tão vibrantes em grupo).

Desses todos só não ouvi nada ainda do décimo terceiro disco de Mônica Salmaso, "Caipira", mas estou bem curioso. E ainda tem "Música de Brinquedo 2", do Pato Fu, o "Vem" de Mallu Magalhães (quarto álbum da moça que, até ontem, tinha 18 anos).

Sem preconceitos e com ouvidos livres de pressa é possível encontrar muitos méritos aqui e ali numa prova de que a música brasileira segue em plena produção (ouça "Tanto Faz", primeiro single solo de Tim Bernardes, da banda O Terno).

E, mesmo nas regravações, há toques de novidade com interpretações e arranjos inusitados. Quer ouvir algo bem louco? Busque aí a banda goiana Boogarins com seu "Lá Vem a Morte" (terceiro de estúdio). Pode soar estranho, mas de morte não tem nada. A música do Brasil, que são tantas, está viva!

O autor é editor do JC

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