Tribuna do Leitor

Memória

João Francisco Tidei de Lima - professor aposentado
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Como se viu, multidão na despedida de Gabriel Ruiz Pelegrina. Ele foi, é e será, eternamente, fonte de consulta obrigatória para resgatar a história de Bauru e das ferrovias que fizeram a cidade decolar como metrópole regional.

Convivi, durante anos, com Gabriel. Aprendi muito com ele. Eu e muita gente. No Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da USC, na sua casa da rua Júlia Prestes, na Estação Ferroviária, no Museu e no atual Arquivo Ferroviário, no lançamento do seu livro, 'Memórias de um Ferroviário'.

Lugares e momentos diferentes, mas o assunto das conversas remetia invariavelmente para a situação das ferrovias. Ontem e hoje. No passado, durante décadas, como se sabe, a E. F. Noroeste foi espaço de trabalho do Gabriel. Aposentou, mas seguiu organicamente ligado à sua história. Com o coração e a mente.

Gabriel não foi simplesmente um relator de fatos. Fazia as inserções para precisar os significados. Muitos anos atrás fui entrevistá-lo para entender os seguidos encontros do fundador do rádio em Bauru, João Simonetti, com o presidente Getúlio Vargas.

Ele explicou que a ligação começou a ser estabelecida quando Simonetti, em 1935, contratou os serviços do rádio-telegrafista da E. F. Noroeste Moacir Boêmer para dar assistência técnica à Bauru Rádio Clube. Boêmer apresentou Simonetti ao diretor da ferrovia em Bauru, o engenheiro Alfredo de Castilho.

Os diretores eram nomeados diretamente pelo presidente da República, pessoas de sua confiança. Logo, concluiu Gabriel, eles seriam o elo que começou a ligar Simonetti ao presidente Vargas.

Memória e história. Num país de amnésia crônica, como o Brasil, onde, no dizer de Ivan Lessa, "de quinze em quinze anos esquecemos os últimos quinze anos", o dia-a-dia de gente como Gabriel Ruiz Pelegrina é objeto obrigatório de resgate.

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