O caso envolvendo o ministro do STF Gilmar Mendes e seu habeas corpus a um empresário corrupto do Rio continua frequentando o noticiário.
Um magistrado que se prezasse saberia que, como a mulher de César, não basta ser honesto, também teria que parecer honesto. Isso é o que se espera de magistrados merecedores do título.
Sucede que a biografia de Gilmar mostra que o próprio nunca foi da magistratura, sempre circunvulejou por outros ares e portanto entende que a história da mulher de César não se aplica a ele, os outros que se danem, inclusive a magistratura superior.
Vai daí que tudo ficará como está, mesmo porque seus pares irão raciocinar e agir corporativamente, como é natural no serviço público.
Li outro dia que o problema do Brasil não é só de seu eleitorado votar bem. Como todos cometemos erros deveria existir alguma forma de corrigir, sem ter que esperar quatro anos ou mais, por outra eleição. O nome do palavrão em bom ou mau português é "deseleição", que seria um verbo a ser inventado, "deselejer", isto é, anular o voto que não foi honrado por quem o recebeu.
Em inglês é mais fácil. Chama-se "recall", instituto de países que, menos corporativistas nessa área, admitem chamar de volta quem não honrou a escolha. Em outros termos, revogar uma procuração, desconstituindo a outorga de poderes.
No STF, as nomeações são políticas, escolhas do presidente da República, atribuição constitucional. O cargo é vitalício e dele o ocupante só sairá morto ou, sobrevivendo, cair na compulsória aos 75 anos.
Até lá cantará "daqui não saio, daqui ninguém me tira". O grande porém é que teria que haver reforma política e inserida nela a figura do "recall". Sucede que quem vota e aprova reformas são nossos deputados e senadores e nesse caso teriam que cortar na própria carne.
Alguém acredita que isso passe no país da jaboticaba?