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Nove integrantes de quadrilha morta no Morumbi tinham passagem na polícia

Estadão Conteúdo
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Um dos carros atingiu uma viatura durante a fuga e o outro um poste

Nove dos dez integrantes da quadrilha morta em confronto com policiais civis na região do Morumbi, na zona sul da capital, no domingo (3) á noite, tinham passagem na polícia. A exceção é Rodrigo Kaique Evangelista dos Santos, de 18 anos.

Apontado como líder do bando, Mizael Pereira Bastos, o Sassá, de 28 anos, era procurado da Justiça por roubo. Segundo a Polícia Civil, ele participou de ataques a caixas eletrônicos e agências bancárias no interior, neste ano.

O outro líder é Felipe Macedo de Azevedo, o Miojo, de 24 anos, que era procurado por homicídio e receptação. Também era procurado da Justiça Hudson Macedo, o Neném, de 29 anos, por tráfico, receptação e uso de documento falso, além de Ires da Silva Queiroz, de 28, por roubo.

Rafael Anunciação dos Santos, de 28, tinha passagem por roubo, assim como Edmilson José Rocha, de 35 anos, que também era fichado por furto, segundo as investigações.

Jeferson Souza de Melo, de 33 anos, já tinha sido acusado de praticar roubo e furto. Já Paulo Ricardo Sena Matos, de 30, era acusado de roubo, formação de quadrilha e resistência.

30 assaltos

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) afirmaram nesta segunda-feira (4) que a quadrilha que invadiu uma residência no Jardim Guedala, zona sul da cidade, seria responsável por 30 ataques contra imóveis e caixas eletrônicos em diversas cidades de São Paulo e outros Estados.

Durante a operação realizado no domingo, 3, dez suspeitos de integrarem o bando morreram em um tiroteio com policiais civis no Jardim Guedala, região do Morumbi. Quatro policiais ficaram feridos por estilhaços no confronto.

Segundo investigações dos policiais do Deic, a organização criminosa era especializada em roubos e furtos cujos alvos eram residências em bairros nobres da cidade de São Paulo, especialmente nos bairros do Morumbi e do Jardim Europa, na Zona Sul. Também em condomínio de luxo nos municípios de Cotia e de Barueri, na Região Metropolitana.

Os policiais conseguiram descobrir o imóvel alvo quando a invasão estava se desenrolando. Pelo menos 10 homens, fuzis e no mínimo dois carros blindados estavam no local, segundo o Deic.

De acordo com a polícia, a quadrilha obteve informações da movimentação policial e decidiu abrir fogo contra as equipes do Deic. Em seguida ocuparam os dois veículos e saíram para lados opostos.

Um dos carros atingiu uma viatura durante a fuga e o outro um poste. Os ocupantes atiraram contra os policiais, mas acabaram feridos.

Os líderes Misael Pereira Bastos, o Sassa, e Felipe Macedo de Azevedo, o Miojo estavam entre os feridos. Ambos eram procurados pela Justiça. No total foram apreendidos quatro fuzis.

'Cena de terror que nem nos filmes mais agitados vi'

A administradora de empresas Katia D'Amico assistia a um filme no quarto quando ouviu estampidos em sequência, que, inicialmente, imaginou serem de fogos de artifício. Ela se levantou da cama e, ao chegar à janela, avistou policiais fortemente armados correndo na sua rua, no distrito do Morumbi, zona sul de São Paulo.

"Eu ainda estou nervosa, o meu corpo ainda treme. Só de imaginar, o meu corpo treme da situação que a gente teve ontem, porque, na verdade, poderia ter sido aqui", disse ao falar com o jornal O Estado de S. Paulo por volta das 12 horas desta segunda-feira, 4. "Foi cena de terror. Na verdade, uma cena de terror que nem nos filmes mais agitados eu vi, tamanho o horror de tiros. Foi horrível", lembra. "Nunca tínhamos passado nada parecido. Difícil."

Acompanhada da mãe, de 69 anos, ela se trancou no closet do quarto até encerrar os estampidos. "Foi horrível, uns 20, 30 minutos de tiros sem parar", relata. Quando os disparos cessaram, elas saíram do quarto e foram para a rua ver o que estava acontecendo. "No que eu saí, já vi os três mortos aqui na frente. Até aí, eu não sabia que tinha atingido o meu portão (ao menos oito disparos), os meus carros que estavam aí na frente (dois dentro da garagem tiveram tiros de raspão e um, estacionado na frente, levou ao menos quatro disparos), não sabia do estrago que tinha acontecido", conta.

Com o susto, Katia soube que o assalto ocorreu na sua vizinha do lado apenas quando a ação foi encerrada pela polícia. Para a administradora, o resultado da ação policial foi "muito eficiente". "Graças a Deus, nenhum policial foi ferido", comenta.

"Foi o melhor (resultado) possível porque morreram os violentos, bandidos. E não são suspeitos porque eles estavam roubando, então eles são ladrões, perigosos", diz ela. "Foi maravilhoso, a sensação é de alívio, que 10 que não vão perturbar mais a vida de muita gente, matar muita gente."

Cotidiano na região

Ao longo da manhã, a reportagem avistou uma intensa movimentação de carros e motocicletas de empresas de segurança que atendem a região. A menos de uma quadra do local do assalto há, ainda, um ponto com mais de quatro câmeras de vigilância.

Além das rondas, as empresas costumam ser contatadas por moradores quando eles saem ou chegam em casa. "Quando você sai, você liga e eles ficam na porta, te esperando", explica Katia, que não costuma andar a pé pelo próprio bairro. "Tem de ter essa rotina."

"A insegurança que a gente vive é inconstante. Se você está dentro da sua casa, você não está seguro. Dentro do seu carro blindado você não está seguro", comenta. "É tão pesado o armamento deles que nem os carros blindados resolvem", lamenta.

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