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Economia volta a crescer

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo que em ritmo lento, a economia brasileira voltou a crescer. Os dados mais recentes, divulgados pelo IBGE, apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano, se comparado ao trimestre anterior. Se a comparação for com o idêntico trimestre do ano passado, o crescimento foi de 0,3%, representando a primeira alta após doze meses de baixas seguidas.

Podemos avaliar o desempenho da economia tanto pela Demanda Agregada como pelo Oferta Agregada. Do lado da Demanda o crescimento econômico foi puxado pela variável consumo: 1,4% após oito meses de retração. Neste particular a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS ajudou a tirar o consumidor da defensiva. Outro aspecto a permitir que o consumidor saísse da defensiva foi o fato de sentir mais seguro devido a percepção que seu emprego não está tão ameaçado quanto esteve em períodos passados.

Estes fatos somados a queda dos juros, aumento do volume de crédito disponibilizado pelas Instituições Financeira, aumento da massa salarial ( 2,3% em termos reais, ou seja, descontada a inflação) e inflação comportada, sem dúvida alguma potencializaram o desempenho. Nada que devolva as perdas passadas, mas renova o ânimo dos agentes econômicos.

Ainda analisando o lado da Demanda, como era esperado os gastos do governo recuaram: queda de 0,9%. Todos somos sabedores que conter gastos públicos é imperativo para evitar a explosão da dívida pública, portanto, esta variável não ajudará a incrementar o crescimento do PIB. O setor externo também deu sua contribuição, como aumento nas exportações e queda nas importações.

Para fechar a análise da Demanda Agregada a variável mais preocupante é a variável investimentos. Chamamos esta variável de formação bruta de capital. É na prática o apetite que os setores da economia têm em comprar máquinas, equipamentos, enfim investir em seu parque fabril. Esta variável apresentou recuo de 0,7% no período e atingiu o pífio patamar de 15,5% sobre o PIB. Estudos técnicos apontam que Países do porte do Brasil deveriam investir no mínimo 25% do PIB. Não investir agora é gerar gargalos para o futuro. De qualquer maneira vamos entender que no curto prazo a capacidade ociosa existente será capaz de absorver eventual aumento de demanda, evitando desequilíbrios futuros na economia.

Do lado da Oferta Agregada, a boa surpresa foi o setor de serviços. Representando cerca de 70% do PIB brasileiro este setor cresceu 0,6% no período. O comércio, que faz parte deste setor, teve desempenho positivo de 1,9%. O consumo das famílias, mencionado acima, foi determinante para este bom desempenho. A indústria, que faz parte do setor secundário da economia, ainda patina, observado queda de 0,5% no período, e a construção civil contribuiu para que esta queda fosse verificada: o setor recuou 2%. A agropecuária que era o carro chefe do crescimento, acabou fechando o trimestre sem crescimento, ou seja, ficou no 0%. Neste particular já era previsível posto que o setor cresceu 11,5% no primeiro trimestre. Não é possível obter super safras em todos os trimestres do ano.

Diante deste quadro qual a conclusão que chagamos? Saímos definitivamente da recessão? Tecnicamente ainda não. O crescimento deveria ultrapassar 0,5% e será preciso esperar pelo menos mais um trimestre para que efetivamente possamos afirmar que a recessão ficou para trás.

Independentemente da análise técnica, é certo que o círculo vicioso da economia está ficando para trás. A constatação que ainda não há uniformidade no crescimento, que há um longo caminho a ser trilhado, mas podemos afirmar que o pior já passou.

A inflação contida, que a abriu espaço para nova queda dos juros básicos, permitirá manter o consumidor com confiança e, assim que o setor industrial retomar o crescimento, mesmo que pequeno, por sua capilaridade, poderemos apostar em níveis maiores de crescimento. Neste contexto a taxa de Investimentos poderá subir e a retomada virá mais forte.

A leitura de crescimento lento está mantida, podendo apostar que neste ano o crescimento rodeará 0,5%. Não é a solução de todos os problemas à medida que o nível de atividade atual está com defasagem de seis anos, mas só o fato de romper a barreira da recessão, cria boas expectativas, indicando que dias melhores virão.

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