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A conquista das algemas de ferro com a Independência do Brasil

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

"Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros". A luz da sabedoria de Mahtma Ghandi, aplicável por analogia aos governos, está presente nos atos nacionalistas de todos os países. Via de regra, são frutos de movimentos que combatem ou apoiam as decisões governamentais. Para tanto, entidades e grupos, clandestinos ou não, se estruturam para manifestar a opinião de parte da população afetada.

Comemorar esses episódios históricos da Nação, que geraram transformações, política, econômica e social, mesmo não tendo vivido à época, é um dos aspectos do Civismo e Cidadania, que só atinge a plenitude se houver ética. É o caso do dia 7 de Setembro. A administração pública, militar e entidades promovem festividades; escolas estimulam elaborações de textos, poesias...

Clubes de serviços, Lions, Maçonaria e Rotary não fogem à regra. A Governadora do Lions de nossa Divisão, Rosemary Pimentel, atenta, estimula as participações dos 61 clubes de sua Jurisdição, em diversas cidades. Enfatiza: "O objetivo do Lions, além de prestar serviço à comunidade, é dela participar".

Em Bauru, os seis Clubes mantêm a tradição e participam do desfile de 7 de Setembro, no Sambódromo, ostentando estandartes e camisetas. Cabe aqui outra frase iluminada de Ghandi: "Seja a mudança que você quer ver no mundo".

Retomando o introito deste texto, a frase de Ghandi sobre governabilidade retrata a tumultuada relação que havia entre Portugal e Brasil Colônia. Isso "muito antes do dia 7 setembro de 1822", quando ocorreu a Independência, e estão entrelaçados: Dia do Fico e Inconfidência Mineira.

O "Dia do Fico" ocorreu no dia 9 de janeiro do mesmo ano, quando ao negar a insistente ordem de retornar a Portugal, D. Pedro I disse a célebre frase: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, diga ao povo que fico".

A Inconfidência Mineira, levada a cabo com o enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), foi em 21 de abril de 1792. Tudo graças à traição do cel. Silvério dos Reis. Plagiando o advogado bauruense Maurício Ruiz: "Foi a primeira delação premiada no Brasil".

As ideias iluministas de Tiradentes de romper com Portugal brotaram quando ainda era militar, aonde chegou ao posto de Alferes, antes de ser mascate e dentista prático. Daí sua inspiração em liderar a primeira revolta do Brasil Colônia. Embora não tenha obtido sucesso, transformou-se em mártir. A semente não germinou, mas permaneceu plantada.

Pelos relatos de historiados, a Maçonaria foi uma das protagonistas nesses três episódios, até então os mais emblemáticos do País: Inconfidência Mineira, dia do Fico e Independência do Brasil.

No caso da Independência, o maçom e primeiro- ministro José Bonifácio, mentor de D. Pedro I, foi articulador junto à ordem, ao lado de outro consagrado maçom: Gonçalves Ledo. Essa estratégica resultou na fundação de nova Ordem Maçônica, intitulada o Grande Oriente do Brasil. A primeira Loja da nova ordem foi criada no Rio de Janeiro, onde ocorreu a iniciação de D. Pedro, um mês antes da Independência do Brasil. Lá, posteriormente, foi aclamado Grão-Mestre. A novela "Novo Mundo", em exibição na Rede Globo, realça esse episódio histórico.

Por fim, não posso deixar de realçar outro facho da luz de Gandhi, que se enquadra no que ocorreu no Brasil, no dia 7 de setembro de 1822: "Algemas de ouro são piores que as de ferro".

O autor é aposentado da CPFL, foi executivo de Gabinete da Prefeitura de Bauru e da Cohab. Assessor de Civismo e Cidadania da Governadoria do Lions.

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