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Pare de pensar

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Meditar é uma forma controlada de pensar ou decidir como se deseja direcionar a mente por um período de tempo, isto porque, a mente não é domesticada, muito pelo contrário, parece ter vontade própria. Esses pensamentos que vem e vão estão tão enraizados dentro de nós que os aceitamos sem questionar, assim, um dos primeiros passos na prática da meditação é aprender a não os aceitar de forma automática. É comum encontrar uma parte da mente tentando se concentrar em determinado problema, enquanto outra parte dela está às voltas com lampejos que nada tem a haver com o problema em questão. Enquanto isso acorrer, a concentração não será completa. A meditação aumenta a atenção, a percepção e a criatividade ao ajudar a eliminar essa "estática" ou "ruído mental" que tira o nosso foco.

Não há nada de misterioso na meditação. Não há necessidade de ambientes especiais nem de qualquer posição corporal específica. Podemos meditar em uma caminhada, em uma sala de espera ou relaxando na piscina. O simples fato de, por um período de tempo, estar pensando sobre determinado tema, ao invés de deixar a mente vagar ao acaso, transforma essa experiência em uma meditação.

Aprendi a meditar muito cedo usando uma vela acessa em um local escuro. Aprendi a reconhecer a semelhança da parafina, que se dissolve, com o nosso corpo e a chama, sempre mirando para o alto e tentando se desprender, como nossa alma. A chama, uma vez criada ou acessa, é pura energia. Ela não desaparece, se transforma em calor que aquece o ar a sua volta. Ao contemplar a chama pode-se perceber suas várias tonalidades: o branco, o amarelo, o vermelho e o negro da escuridão ao seu redor. Nossa alma, também, tem vários aspectos e está experimentando a escuridão deste mundo. Esse é um dos usos mais potentes da meditação e consiste em alcançar uma consciência do espiritual. Embora o Criador esteja em toda parte, inclusive dentro de nós, embora estejamos cercados por um mar de espiritualidade, não somos conscientes dele. As sensações espirituais são muito difusas e obscurecidas pelos sentidos e pelos pensamentos autogerados pela mente. Quem é capaz de aquietar os pensamentos indesejáveis pode, enfim, entrar em sintonia com o espiritual ou ouvir o sussurro do sopro divino dentro de nós. Hoje pratico uma vertente da meditação judaica: a contemplação simples e direta dos atributos divinos. De acordo com a Cabala, uma tecnologia tremendamente poderosa está codificada e oculta dentro da história bíblica do Mar Vermelho, em Êxodo, capítulo 14, versículos 19, 20 e 21. Portanto, oculta há 3400 anos.

Cada um destes versículos tem 72 letras do alfabeto hebraico. A primeira letra do versículo 19 é combinada com a primeira letra de cada um dos outros dois versículos. Pronto. Tem-se o primeiro nome sagrado e secreto de Deus. E assim sucessivamente. Os 72 Nomes de Deus não são nomes num sentido comum. Eles são ou representam um veículo de comunicação com Deus. Ele, em Sua infinita bondade, deu este conhecimento a Moisés para que os seres humanos pudessem libertar seus próprios poderes divinos e atingir certo controle sobre o mundo físico.

Existem, porém, três pré-requisitos para ativar o poder dos 72 Nomes: a convicção de seu poder; um entendimento da influência específica de cada Nome e uma ação física correspondente para ativar o seu poder. O primeiro pré-requisito depende de cada um de nós. O segundo pré-requisito conquistamos pelo conhecimento. Para entender o terceiro pré-requisito imaginem alguém chegando tarde da noite em sua casa que está totalmente às escuras. Ele quer luz, mas seu desejo não é físico. Para manifestar ou concretizar seu desejo é preciso uma ação física: ir até o interruptor e acendê-lo. Neste caso a ação é meditar.

Em certo sentido, meditar é como escalar uma montanha. Mesmo para o alpinista experiente sempre há um elemento de perigo. Se a pessoa possui uma experiência limitada, não deve pensar em escalar uma montanha difícil sem um guia.

Vale lembrar que, sem treinamento e disciplina não conseguiríamos seguir o guia.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp – câmpus de Bauru.

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