| Rovena Rosa/Agência Brasil |
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| Joesley Batista e Ricardo Saud deixam a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo |
O avião da Polícia Federal que levou a Brasília o empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, chegou pouco antes das 15h30 ao aeroporto da capital federal. Joesley e o executivo Ricardo Saud, ambos delatores, chegaram à Superintendência da PF sem passar pelo IML (Instituto Médico Legal) primeiro, e foram recebidos com protestos e rojões.
Os dois se entregaram à polícia no domingo à tarde. O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin havia decretado a prisão dos dois, solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na sexta. O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, decidiu ontem suspender a homologação do acordo de leniência do grupo J&F até que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê a palavra final sobre a validade da delação dos executivos do grupo. Ele apontou que o acordo de delação "sustenta" o acordo de leniência da empresa.
Como se tratam de prisões temporárias, eles devem ficar presos, pelo menos, até sexta. As detenções, no entanto, podem ser prorrogadas ou transformadas em preventivas. Por enquanto eles ficam em cela da PF.
APREENSÃO NO RIO
Janot também pediu a prisão do ex-procurador Marcello Miller, negada por Fachin. A residência do atual advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã dessa segunda-feira (11), no Rio.
Os agentes chegaram ao local por volta das 6h e saíram depois de 1h40, carregando dois malotes de documentos.
O escritório da J&F, empresa controlada pelos irmãos Batista, também foi alvo de operação da Polícia Federal nesta segunda.
MANIFESTAÇÃO
Na porta da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde os delatores ficarão detidos, um grupo de oito pessoas protestava com bandeiras do Brasil e cartazes de apoio à Lava Jato. Um dos homens vestia um boné com o slogan do presidente americano Donald Trump, "Make America Great Again". "É o maior empresário corrupto do país, que financiou o governo do PT e PMDB", diz a aposentada Julse Urbaneshi, 60, com um cartaz com os dizeres "Joesley e quadrilha provam o gostinho da cadeia" amarrado ao corpo.
Segundo a relações-públicas Guaíra Leis, que carregava um cartaz com o rosto do juiz Sergio Moro, "isso é para mostrar que ninguém está acima da lei."
Enquanto esperavam os presos, gravavam vídeos para as redes sociais e debatiam: "Outro que deveria estar preso é o [procurador-geral da República, Rodrigo] Janot, porque tudo começou com ele fazendo essa delação ilegal", diz Leis.
Os manifestantes também hostilizaram o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em sua chegada à PF. "Você está defendendo bandido com dinheiro do BNDES", gritava um homem enquanto o grupo cercava o carro.
