Tolerância, benevolência e compreensão. Essas são algumas palavras que podem ser sinônimas da palavra complacência. Esse estado de ser pode se dar em alguma situação particular que as pessoas vivenciam no seu dia a dia, no trabalho ou talvez na família. Mas, caro leitor, esse status quo de complacência a qual procuraremos discorrer neste artigo trata-se da letargia a qual a nossa pátria amada Brasil se encontra. Basta uma passada de olho nos noticiários para entender quão fundo estamos e vermos que quanto mais somos surpreendidos, nunca é o suficiente, o pior está sempre por vir.
Dinheiro em roupa íntima é coisa do passado, a moda agora é a mala de dinheiro, ou malas de dinheiro. Assistimos ao cume da cara de pau de pessoas defenderem com normalidade a guarda de dinheiro em espécie em suas residências como se estivéssemos em um país dos mais seguros.
O fundo do poço sempre parece ser hoje, mas a cada dia percebemos pelo volume, valor e quantidade de pessoas e entidades envolvidas que a profundidade só aumenta. E, não fugindo ao título deste texto, o que percebemos é uma complacência generalizada. Como se tudo que estamos passando fosse normal.
O tempo, caríssimo leitor, não é amigo de tudo, o tempo não resolve situações que demandem intervenções. O tempo definitivamente não é amigo dos indecentes.
Em minhas últimas publicações tenho levantado a bandeira de que o Brasil tem jeito e temos que ser a mudança que queremos ver para nós e para as futuras gerações. Isso passa por cobranças a quem de direito tem o dever de fazer o certo, pelo simples fato de que é certo. Cobrar posturas melhores dos nossos governantes e legisladores.
Vemos com orgulho uma megaoperação denominada Lava Jato que tem feito sua parte. Agindo para prender foras da lei, repatriando recursos, penalizando pessoas e empresas, em suma uma equipe que não é complacente, e se importa com a decência. É disso que queremos tratar. De agirmos com mais afinco nas questões corretas, do menor gesto de bem fazer ao não furar uma fila até se importar, e não ser complacente com aqueles que nos representam. Não concorda com alguma lei? Aja! Se comunique com seu representante!
Aquele deputado que talvez você não se lembre, mas em quem você votou.
Insisto sempre na tese de que o Brasil tem jeito. E acredito nisso, apesar das malas estarem aumentando. Mas isso passa por uma mudança de postura.
Como empresas melhorando nossa governança, o jeito de fazer negócios, demonstrando acima de tudo integridade. E como cidadãos exigindo mais, cobrando mais. Se está tão em voga a integridade nas empresas, impostas é bem verdade pelos governos, porque eles também não serem Compliant? Ter programas de integridade eficazes e reais?
Chega de complacência? Principalmente aos que não tem decência!
O autor é sócio da Lopes e Nóbrega Consultoria.