| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Richard Leutz: o precursor |
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| Marcelo Yamada: Bruce Lee bauruense |
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| Ana Fatia: da balança à Seleção |
O JC inicia hoje a sua nova série especial Artes Marciais, que contará, em formato de episódios aos domingos, como caminham as modalidades de luta em Bauru. E a primeira será o kung fu, arte marcial chinesa, que está ficando cada vez mais "abrasileirada" em parte graças aos números impressionantes que os bauruenses têm conquistado País e mundo afora.
O JC entrevistou três dos principais especialistas de Bauru, os professores e competidores multicampeões Richard Leutz, Marcelo Yamada e Ana Fatia, que colocaram Bauru no patamar de ter um dos melhores kung fus do Brasil, com títulos nacionais e internacionais, além de locais para treinar em alto nível.
Das lutas, o kung fu é um das mais premiadas de Bauru, com conquistas estaduais, nacionais, sul-americanos, pan-americanos e mundial, além de representatividade significativa nos quatro continentes, visto o título mundial na China, berço da arte milenar.
LEUTZ: O PRECURSOR
Richard Leutz, 41 anos, da Associação Garra de Tigre, foi o "bandeirante" em Bauru. Chegou à cidade em 1995, vindo de Santos, num cenário de praticamente inexistência do estilo de luta no município e, 22 anos depois, vê a proporção que alcançou, inclusive, com seu inédito título mundial conquistado na China, em 2016. "Quando vim para Bauru, o kung fu praticamente não existia na cidade. Havia algumas manifestações isoladas, mas muito pouco. Foi então que abrimos a academia no Geisel, há 22 anos. Na época, em parceria com a gestão do então prefeito Tidei de Lima, passamos a dar aulas gratuitas para a população. Hoje, temos mais de 110 alunos assíduos", revela o professor, que é contratado pela prefeitura para coordenar e dar aulas no projeto social esportivo.
Leutz comenta ainda que o projeto cresce exponencialmente. "São dezenas de Campeonatos Paulistas e Brasileiros conquistados. O salto de qualidade tem sido frequente. Quase a totalidade dos alunos e competidores são de comunidades carentes. E eles treinam graças aos recursos da Semel. Temos ainda 31 competidores de alta performance, que são filiados à federação. As aulas são gratuitas e os interessados precisam aguardar na lista de espera, mas rapidamente são chamados", ressalta.
YAMADA: BRUCE LEE BAURUENSE
Marcelo Yamada, 31 anos, da Associação Yamada, coleciona títulos de pentacampeão sul-americano, bicampeão pan-americano e é 12 vezes campeão brasileiro. Apesar do currículo, ele revela ao JC que não é possível se sustentar financeiramente só do kung fu e que trabalha como professor e personal trainer. "O kung fu bauruense é considerado lá fora como um dos melhores do País, porque muitos atletas que representam nossa bandeira brasileira moram aqui. Minha equipe tem colecionado resultados expressivos com muita frequência, nos Estaduais, Nacionais e Sul-Americanos", frisa.
Yamada comenta que a evolução da arte marcial tem ocorrido devido à essa experiência internacional. "Os professores e atletas vêm adquirindo muita experiência em intercâmbios na China. O nível de luta do kung fu bauruense tem evoluído muito desde então".
FATIA: DA BALANÇA À SELEÇÃO
O kung fu tem um rosto feminino, o de Ana Fatia. Atualmente nocauteando as adversárias nos octógonos de MMA, Ana Fatia, 35 anos, começou aos 17 anos, quando procurava um esporte para emagrecer. Dezoito anos depois, ela coleciona sete títulos brasileiros, um bronze em Mundial, outro em Copa do Mundo e um título pan-americano.
Ela prova que tatame é "lugar de mulher" e é exemplo para as meninas da cidade que desejam praticar esportes de contato. "Comecei a praticar só para emagrecer. Acho que todas as mulheres procuram esporte de luta pelo mesmo motivo. Fui influenciada, também, pelos filmes do Jackie Chan. Depois, as coisas foram acontecendo naturalmente. Tomei gosto e a dedicação me levou à Seleção Brasileira", revela.
Ciente de sua importância como inspiração e disseminação do kung fu entre as mulheres de Bauru, Fatia enaltece a evolução da luta na cidade. "Tenho certeza que o kung fu crescerá ainda mais nos próximos anos. Hoje consideramos ele como um esporte amador. Não se ganha dinheiro com o kung fu em Bauru. Eu, por exemplo, preciso dar aulas desta e de outras artes marciais das quais também sou faixa preta, além de trabalhar como educadora física", finaliza.
Serviço
Associação Garra de Tigre (Leutz) - rua Benedito Ribeiro dos Santos, 11-82, Núcleo Geisel. Tel.: 3222-3910.
Associação Yamada - rua Marchi Kanashiro, 2-39, Vila Independência. Tel.: 99721-1578.
Centro de Treinamento Andrades (Fatia) - rua Agenor Meira, 15-15, 2º andar, Centro. Tel.: 99705-7653
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