Política

Fila para internação gera reuniões em Bauru


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Aceituno Jr.
Pacientes à espera de atendimento no Pronto-Socorro: parte deles fica dias nesta unidade de saúde para obter vaga hospitalar

A Secretaria da Saúde de Bauru se reuniu nessa segunda-feira (18) com os conselhos gestores das UPAs e do Pronto-Socorro Central para falar sobre o problema vivido por pacientes que aguardam dias na fila de internação para conseguir vagas nos hospitais. A reunião discutiu propostas que serão levadas para um encontro, nesta terça-feira (19), com o Departamento Regional de Saúde (DRS), para o qual foram convidados os diretores da Famesp, entidade que gere os hospitais de Base e Estadual.

Até essa segunda (18) no começo da noite, a fila de espera para internações chegava a 35 pacientes, sendo que um deles está há 10 dias aguardando de leito para a especialidade cirurgia geral. Outro, espera por internação há 5 dias, em urologia. (Veja no quadro no final).

A reunião debateu o acesso a vagas hospitalares, após mais uma morte na fila de espera registrada na semana passada, totalizando 86 óbitos neste ano e 584 em oito anos.

Foi discutida com os conselhos a necessidade de agilizar internações de pacientes com risco clínico considerado grave, além de destacar a importância da presença do Conselho Gestor das Unidades para as discussões dos casos.

Além disso, segundo informa a Secretaria da Saúde, serão levantadas alternativas para diminuir, rapidamente, o tempo de espera de pessoas em estado grave que estão no Pronto-Socorro Central e nas UPAs e aguardam por leitos.

A agilidade da implantação das linhas de cuidado referentes a trauma e infarto agudo do miocárdio também foi discutida.

As demandas serão levadas para a Diretoria Regional de Saúde do município ainda hoje, segundo informa a Secretaria Municipal da Saúde, com a proposta de montar um grupo técnico local, que poderá decidir a prioridade e encaminhamento de vagas, em complementação da Central de Regulação de Ofertas de Serviços da Saúde (CROSS).

PROVIDÊNCIAS

O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru informou nessa segunda-feira (18) ao JC que se reunirá com a Secretaria Municipal de Saúde e com a Famesp para organizar as solicitações que são encaminhadas para a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross). "Vale lembrar que a Cross atua em conformidade com as diretrizes do SUS, priorizando a regulação dos casos mais graves e urgentes, com base na necessidade e no quadro clínico de cada paciente. Por isso, a dinâmica é variável, uma vez que aborda cada caso cadastrado em sistema", disse a Saúde estadual, em nota.

Paralelamente, o DRS e o município vêm desenvolvendo medidas para agilizar e qualificar o atendimento em Bauru, como a nova linha de cuidados e regulação de pacientes de urgência e emergência. Com essa nova linha de atendimento, pacientes com quadros graves de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e trauma terão diagnóstico por médicos do SAMU e encaminhamento direto aos hospitais de referência da região, após diagnóstico de médicos do SAMU, afirma a Secretaria Estadual da Saúde.

Lotação completa no PS Central

Gente que vai e volta há dias esperando uma solução ou ao menos uma internação para um problema que pode se agravar; pessoas machucadas, outras com dores, chegando para entrar numa fila de espera que vai durar horas e, em muitos casos, não há uma perspectiva. Na noite dessa segunda-feira (18), familiares de Laurita Foliari Silva, de 93 anos, aguardavam uma solução para o caso da pensionista, com diagnóstico de crise de vesícula. No PS desde a hora do almoço com indicação de urgência, seus familiares não tinham a menor ideia de quando a cirurgia poderia (e se iria) acontecer.

Outro caso precisando de um tratamento urgente é o do autônomo João Batista Missão, de 55 anos (vendedor de salgados).

Há cinco semanas ele vai e volta ao Pronto-Socorro Central por causa do diabetes. Quando o índice de glicose no sangue é aceitável até 110 miligramas, as taxas dele passam de 300 e, não raro, têm picos de 500. "A semana passada foi o que ocorreu e ele precisou ficar internado aqui do PS mesmo e não conseguiram que ele fosse para o hospital aonde teria atendimento mais específico. Tudo o que conseguimos saber é que o pâncreas dele está comprometido e nos encaminharam ao AME - onde ele tem consulta agendada no dia 5. Isso depois de ficar retido aqui de quinta-feira até sábado. Mas hoje (ontem) piorou de novo e chegou com a taxa a 580", conta a mulher dele, a diarista Sandra Mara Batista Missão.

"Até entendo o problema de falta de leitos, aqui todos nos tratam bem, fazem o que podem, sei que a situação da saúde, não só aqui mas em todos os lugares, é crítica, mas a gente não tem culpa, ele precisa mesmo de atendimento", reclama ao lado do filho, Virgílio Missão, de 29 anos, esperando do lado de fora, em pé, a hora em que um (e depois o outro) poderia entrar para uma breve visita ao marido, já que todos os assentos da sala de espera estavam ocupados com pacientes. "Como ele não tem idade, não chegou aos 60 anos, a gente não pode ficar junto".

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