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O saudável vício da leitura e os efeitos nocivos à ignorância

Waldir Ferraz de Camargo
| Tempo de leitura: 1 min

Para quem aprecia uma bela capa, que acaricia livros e ama cheirá-los, você não está sozinho.Também sou viciado em boas leituras e minha história vem de longe, incentivada pelo meu próprio pai, quando tinha apenas 5 anos de idade.

Pasmem!

Inicialmente, pequenas doses diárias que foram aos poucos sendo aumentadas em quantidade e qualidade, que, consumidas, me levavam ao êxtase de perceber a transformação do meu modo de pensar, assimilando culturas e valores, abrindo as janelas do entendimento para ver despertar do sono à sabedoria latente em meu interior.

Vi meus colegas de faculdade nas rodas literárias de que participávamos encherem a cara de poemas para depois saírem vomitando versos pelas calçadas e vários deles hoje estão algemados aos seus diplomas, pois descobriram que a leitura é um mar de sentimentos e emoções presentes em nosso mundo real ou imaginário, no qual precisamos mergulhar de cabeça para descortinar um infinito de coisas. O vício é tamanho que a cada leitura desvelo um mistério. E outro, e mais outro... Ler é sempre uma descoberta que não tem fim, preenchendo de forma pura os vazios que a saudade cria.

Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E, o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor agora escritor tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios maravilhosos, transformando os vagos pensamento nas mais sublimes inspirações.

Leitura é um espaço íntimo, um lugar predileto só seu, uma luz expandida pois mergulhamos no pensamento de outra pessoa até nos afogarmos na própria imaginação. É um ritual quase sagrado que te aproxima de Deus, pois também será capaz de criar universos inteiros.

O autor é professor de história, funcionário estadual e colaborador de Opinião.

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