Um dos principais sintomas do Alzheimer é a perda da memória. Enfermidade grave com consequências seríssimas aos que o adoecem desta patologia. Na política, muitos sofrem deste mal e parece que alguns companheiros do PT adquiriram essa enfermidade ao mirarem Ciro Gomes como adversário de suas ambições. Articuladamente, o processo de desconstrução de Ciro Gomes, por grupos do PT, atende exclusivamente aos interesses de nossas elites hoje no poder.
Olvidam-se de um tempo pretérito muito recente, a lealdade de Ciro Gomes, implacável, na defesa dos princípios democráticos e do mandato da presidente Dilma Rousseff. Confundem lealdade com submissão e se esquecem de quem, de fato, traiu a sociedade brasileira e cumpriu o perverso papel de Joaquim Silvério dos Reis. Inquestionável o fato de Ciro Gomes ser desnudo da hipocrisia pátria e inconteste que suas declarações são fortes, porém, verdadeiras. Ocorrência indelével é o reconhecimento de Ciro Gomes, os serviços prestados por Lula ao país, como também é um revés ver a narrativa da perseguição contra Lula após as declarações de Antonio Palocci, embora não tenha apresentado nenhuma prova.
Audaz conjeturar que um partido com a história do PDT e do Trabalhismo não tenha projeto para o Brasil e não possa ambicionar disputar as eleições de 2018 com candidatura própria. Ilações desprovidas de razoabilidade ofendem a memória política do Brasil e do Trabalhismo que tem, dentre suas fileiras, nomes como de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, entre tantos outros, que nos credenciam a conduzir os destinos de nossa nação.
Contraditório atacar Ciro Gomes e abraçar Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney, representantes legítimos de nossas velhas oligarquias e apêndices e articuladores do golpe que apeou o PT da presidência. Rememora-se a esses companheiros que necessitamos de projeto de nação e não de poder, e que a história regressa já foi pródiga em ensinamentos no que diz respeito à altivez elevadíssima. Os verdadeiros inimigos do povo brasileiro são nossas classes dominantes despossuídas de sentimentos pátrios, o desmonte dos direitos sociais, e a entrega indiscriminada de nosso patrimônio.
Não se pode cacarejar para esquerda e botar ovo na direita, já dizia Leonel Brizola; afinal, não é aconselhável voltar a colocar o macacão e os tamancos da velha UDN.