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Com parceria, Centrinho quer zerar fila de pacientes primários no Estado

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Malavolta Jr
Visita da ONG Smile Train ao Centrinho: José Roberto Lauris; Cleide Carrara; Mariane Goes; Maria Ap. Moreira Machado; Eric Hubli, Carlos Ferreira dos Santos e Eudes Nóbrega
Com 25 anos de experiência em cirurgia plástica craniofacial e pediátrica, o médico norte-americano Eric Hubli esteve pela 1ª vez nessa quarta (20) em Bauru

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP em Bauru, o Centrinho, pretende zerar a fila de pacientes primários (que serão atendidos pela primeira vez) em todo Estado através de uma força-tarefa que será realizada em outubro com apoio da Smile Train (organização internacional sem fins lucrativos). Hoje, em nível estadual, 70 pessoas esperam vagas para iniciar o tratamento de fissura labiopalatina.

A ação foi anunciada nessa quarta-feira (20), durante visita do cirurgião plástico Eric Hubli ao hospital. Ele integra equipe do Centro Médico Infantil Cook, de Fort Worth, no Texas, e também é membro do Conselho Consultivo Médico da Smile Train, que fechou, em agosto, parceria com o Centrinho para repasse de R$ 75 mil mensais de recursos extras à instituição.

"Essa força-tarefa, que faremos na primeira semana de outubro, pretende zerar a fila de espera em nível estadual, que hoje é de 70 pacientes primários e que já estão na idade adequada para os procedimentos", destaca a superintendente do Centrinho, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado. 

CONVÊNIO

Além dessa força-tarefa, o convênio da Smile Train com o HRAC promete melhorias em todo o contexto. A parceria vai quase dobrar o número de cirurgias mensais no Centrinho: de 60 para 100. Para tanto, a ONG doará 250 dólares (em torno de R$ 800,00) ao hospital a cada cirurgia.

Referência na área de fissura labiopalatina na América Latina, o HRAC regionalizou seu atendimento obedecendo regras especificas do Ministério da Saúde, conforme o JC noticiou. Pesou na situação a impossibilidade financeira de contratar médicos anestesistas.

Adauto Nascimento/Banco de Imagens do HRAC
Equipe de profissionais realiza cirurgia em paciente no Centrinho de Bauru

Em maio deste ano, apenas cinco atuavam no hospital - no início de 2016, eles somavam dez profissionais. A redução drástica veio na esteira dos programas de demissão voluntária implementados pela USP.

Em razão disso, o atendimento priorizou pacientes dos 68 municípios abrangidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-6). 

BRASIL TODO

Depois de assinar o convênio com a ONG - via Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp) -, o Centrinho contratou mais dois anestesistas, aponta a superintendente da unidade. "Um terceiro virá para a força-tarefa", complementa, dizendo que o hospital trabalha, agora, para fazer a regulação para voltar a atender pacientes de todo o Brasil.

"Se tudo der certo, qualquer paciente que quiser vir tratar aqui deverá comunicar a DRS-6 e então o Estado passa o recurso e autoriza o atendimento no hospital. Não temos estimativa de datas, mas esperamos acertar essa questão muito em breve", finaliza Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado. 

‘Hospital é instrumento muito importante na concepção de pesquisas’

Com 25 anos de experiência em cirurgia plástica craniofacial e pediátrica, o médico norte-americano Eric Hubli esteve, pela primeira vez, ontem, em Bauru, quando visitou o Centrinho. Ele destacou que todo procedimento realizado no hospital em 50 anos de história integra um protocolo internacional de métodos cirúrgicos, que estão em discussão com especialistas que atuam junto à Smile Train.

"Há 30, 40 anos, cada cirurgião vem desenvolvendo a sua técnica e no tempo em que eles consideram correto para fazer a cirurgia, mas nunca esses dados foram postos juntos para avaliar, realmente, qual é o melhor resultado. De uns tempos para cá, todos esses profissionais estão se reunindo e discutindo as resoluções", destaca Eric.

"Agora, poderemos chegar ao melhor conceito: operar com três meses de vida, com a técnica X ou Y. Bauru, através do Centrinho, conta com um número expressivo de pacientes. Por isso, além de ser referência internacional no tratamento de fissura labiopalatina, o hospital se torna um instrumento muito importante na concepção de pesquisas", acrescenta o especialista.

O cirurgião plástico frisa que a parceria entre ONG e Centrinho gera ótimos resultados. "Todo o Brasil cresce. Essa troca de experiências e aprendizados tem como objetivo deixar o País autossuficiente. Essa é a nossa missão: que todos tenham consciência do problema e como cada um pode contribuir para solucioná-lo", finaliza Eric.

O médico estava acompanhado pela diretora da Smile Train na América do Sul, Mariane Goes. Ela destacou que a meta para esse ano no Brasil é atender maior demanda através da parceria com a unidade de Bauru. "Em 2016, ajudamos 3.700 cirurgias no País e, em 2017, esperamos contabilizar 4.900 ajudas", discrimina.

A Smile Train atua em 89 países e já contribuiu em 1,2 milhão de cirurgias em 18 anos de sua criação.

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