Tribuna do Leitor

Ensaio de avó

Nutricionista Luciana Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Sou nutricionista recém-formada, mas antes de ser uma profissional sou uma mãe e uma avó que sempre buscou uma qualidade de vida para aqueles que me cercam.

Mesmo sem ter carro, levava meus filhos aos parques da cidade e zoológico e os finais de semana são sagrados e consagrados ao passeio com os netos, longe de tarefas, tvs e, principalmente, celulares.

Tive uma experiência incrível no Jardim Botânico no dia 10-09: música, crianças brincando, piquenique, novos amigos e muitas fotos para guardar.

Resolvemos repetir a dose no sábado seguinte, 16-09, desta vez levamos mais frutas, mais toalhas e muita disposição para passar um tempo maior com as crianças e com a natureza e, claro, levamos nossa câmera. Só que no momento em que estávamos entrando, fomos barrados, isso mesmo, cidadão bauruense, não pode entrar de câmera na mão sem agendar por e-mail, porque uma câmera significa ensaio fotográfico...

Tentei por diversas vezes dizer que não estávamos ali para um ensaio, mas o rapaz mal instruído impediu a minha entrada e dos meus netos se eu permanecesse com a câmera. Disse que teria de agendar por e-mail o ensaio. Agora, entenda minha indignação.

Quem faz ensaio de cara lavada e chinelo nos pés? Celular de última geração pode (não é ensaio), câmera profissional não pode (é ensaio)! Será que um turista que vem para Bauru, e não precisa ser nem gringo, vem de outra cidade com uma câmera na mão merece ter esse tipo de tratamento, ou uma senhora ou senhor que não têm computador e não sabe que tem que mandar um e-mail para usar sua câmera?

Sugiro um treinamento mais eficaz na portaria, o Jardim Botânico estava com um público menor no sábado, mas mesmo assim vi vários ensaios fotográficos com aparelhos celulares. Quero ter o direito de usar minha câmera e não ter meu passeio interrompido por optar passar um final de semana tirando fotos dos meus netos sem celular na mão. Fica aqui minha indignação com os protocolos invertidos e a aceitação do que na realidade não deve ser visto como algo natural.

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