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Atenção no trânsito: celular "desliga" o cérebro

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Já se tornou normal ver alguém dirigindo e mexendo no celular ao mesmo tempo. Se antes os motoristas eram flagrados com os aparelhos nos ouvidos, agora, com a popularização dos smartphones, é comum vê-los digitando ou usando os pequenos computadores para ver e ouvir conteúdos. E essa nova realidade preocupa os médicos.

"O celular altera as ondas cerebrais de alguns pacientes, que ficam desconectados, como se estivessem em transe, fora de si. O cérebro foca na ação que está sendo feita no aparelho e perde a sintonia com o que ocorre ao redor", relata Ronald Farias, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Segundo a gestora de comunicação do Observatório Nacional de Segurança Viária, Daniela Gurgel, usar o telefone enquanto dirige tem se tornado tão perigoso quanto beber e assumir o volante. "A pessoa não se embriaga numa segunda-feira de manhã, mas usa o celular o tempo inteiro. Isso é muito perigoso."

Educação de condutores pode ser saída

Apesar de campanhas publicitárias enfatizarem os perigos do uso do celular ao volante, muitos condutores insistem em usar os aparelhos. Melhorar a formação é uma das soluções apontadas por Daniela Gurgel.

"O instrutor tem que ter a consciência de que ele tem que passar essa noção de responsabilidade para o novo condutor. Mostrar para o motorista e para a sociedade o risco que a distração ao volante causa. É tudo uma questão de se criar bons hábitos ao dirigir."

Para o inspetor Itaharassi Bonfim Junior, subdiretor de trânsito do Rio de Janeiro, as punições para motoristas que dirigem e falam ao celular deveriam ser mais severas, incluindo também os pedestres.

"A multa ainda tem um valor muito baixo e ainda não surte o efeito desejado. Além disso, muitas pessoas conseguem recorrer aos pontos na carteira. É o jeitinho brasileiro impedindo que as punições sejam aplicadas. Os pedestres que andam falando e mexendo no celular também deveriam ser multados", diz.

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