| Guilherme Gilles/Divulgação |
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| Idosas de grupo de artesanato trabalharam durante meses na confecção dos bonecos de pano |
Uma entidade de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) quer ajudar a tornar mais feliz o dia a dia de crianças do continente africano em situação de pobreza através da doação de cem bonecos de pano confeccionados de maneira artesanal por idosos atendidos em um projeto social.
A ideia de produzir os bonecos foi de Maria Estela Taparelli, que é professora de artesanato do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, projeto mantido pela entidade Serviço de Promoção Social de Piratininga.
O projeto é desenvolvido na antiga estação ferroviária e oferece atividades como alongamento, dança, teatro e artesanato para cerca de 60 pessoas com mais de 65 anos em situação de vulnerabilidade social.
O orientador social da entidade Guilherme Gilles explica que a tarefa de confeccionar os bonecos ficou a cargo da turma de artesanato, atividade desenvolvida às terças-feiras por aproximadamente 15 idosos.
"A professora de artesanato conhece uma freira (Eliane Rodrigues de Souza, da Congregação das Apostilas do Sagrado Coração de Jesus), que foi para a África, onde participa de projeto que atende mais de 4 mil crianças", conta.
Segundo ele, os alunos gostaram tanto da proposta que passaram a frequentar o local também às quintas-feiras para dar conta de finalizar cem bonecos até o início de outubro. "Na segunda semana de outubro, a freira vem buscar as bonecas e bonecos", declara.
MATERIAL
O orientador explica que o material usado na fabricação dos brinquedos foi doado por um asilo espírita da cidade. "Eles são feitos de um pano preto com enchimento de plumante, que é tipo um algodão", diz.
Os cabelos são confeccionados em lã. Já os olhos e boca ganham forma com pedaços de feltro. Além disso, cada um dos bonecos foi contemplado com roupa colorida. As "meninas" ganharam laços para os cabelos.
NOME
Gilles revela que, inicialmente, a ideia era batizar os bonecos de "abayomi" - boneca feita pelas escravas para as crianças apenas com nós, a partir de pedaços de saias, que representava o laço entre mãe e filho. "No caso, seria o laço das idosas com crianças que elas nem conhecem, um nó de solidariedade", afirma.
Contudo, de acordo com ele, a semelhança física entre os bonecos e uma de suas criadoras acabou levando o grupo a batiza-los de "Juditinha". "A Judite é uma senhora de origem africana. Quando fizemos a primeira, parecia ela e as idosas começaram a chamar de 'Juditinha'. Aí o nome pegou", conta.
