| Aceituno Jr |
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| Rafael Bueno (foto abaixo) morreu em acidente envolvendo caminhões, moto, carro e cavalos |
| Arquivo Pessoal |
| Rafael Bruno Cardoso, tinha apenas 19 anos |
A baixa visibilidade, associada à posse irresponsável de animais de grande porte, provocou mais uma tragédia em Bauru, na madrugada dessa segunda-feira (25). Com apenas 19 anos, Rafael Bruno Cardoso perdeu a vida ao atingir um cavalo quando estava a caminho do Tiro de Guerra, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Jaú, na altura do Jardim Tangarás, próximo de onde morava.
Além da moto, outros dois caminhões e um Astra se envolveram no acidente, mas nenhuma outra pessoa se feriu. Há anos, o JC alerta para os riscos de animais soltos em ruas e rodovias da cidade e, nessa segunda (25), vereadores voltaram a debater o tema na sessão na Câmara.
Já está em tramitação na Comissão de Justiça da Casa de Leis um projeto para proibir, em definitivo, a criação de animais de grande porte no perímetro urbano de Bauru. Apesar de o assunto demandar abordagem social, já que muitos donos dependem dos animais para subsistência, medidas para evitar perda de novas vidas precisam ser adotadas.
Comandante da 1.ª Companhia da Polícia Rodoviária, o tenente Roberto Nicoleto destaca que mesmo os acidentes nas rodovias são provocados por animais oriundos de bairros da zona urbana, que, sem a guarda devida, se deslocam em busca de pasto. "No caso de hoje, seguimos os rastros e percebemos que os cavalos vieram do Tangarás. Há incidência de acidentes em rodovias, ainda, na altura do Roosevelt, Niceia e Jaraguá".
RISCO
O Departamento de Vigilância Ambiental de Bauru acrescenta, ainda, como regiões com maior circulação de animais soltos as imediações do Fortunato, Mary Dota, Octávio Rasi, Vila São Paulo e bairros que margeiam trechos da José Vicente Aiello e a Comendador da Silva Martha, entre a linha férrea e o Jd. Ferraz.
Nas rodovias, Nicoleto garante que o volume de acidentes com vítimas envolvendo animais caiu em 60% entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos dois anos, o saldo de mortes foi igual - uma em 2016 e outra em 2017 - ambas em horários de pouca luminosidade.
"Pela pelagem escura, o animal acaba ficando um pouco camuflado no asfalto e, no período noturno, o condutor pode não ter tempo hábil de visualizar a desviar", alerta. Enquanto a legislação atual não muda, a única forma de prevenção, ele salienta, é respeitar os limites de velocidade, redobrar a atenção à noite e acionar a polícia pelo 190 ou as concessionárias das rodovias sempre que um animal solto for avistado na pista. Já no perímetro urbano, as denúncias devem ser feitas ao CCZ, pelo (14) 3103-8050.
O ACIDENTE
Segundo o Policiamento Rodoviário, Rafael Bruno Cardoso, 19 anos, morreu por volta das 5h30 dessa segunda-feira (25), quando um caminhão carregado de adubo, que seguia sentido Pederneiras-Bauru, se deparou com cinco cavalos no quilômetro 230 da Bauru-Jaú. O veículo colheu dois deles na pista e os animais não sobreviveram.
Ao que tudo indica, Rafael, que seguia atrás do caminhão, de moto, não conseguiu desviar de outro cavalo e caiu na pista. A Polícia Rodoviária não soube precisar se o rapaz chegou a ser atropelado por outros veículos, mas um Astra passou sobre a moto. Posteriormente, um segundo caminhão atropelou um quarto cavalo, que morreu no local. O quinto animal foi recolhido pelo CCZ, assim como o cavalo ferido pela moto.
Em comunicado, o Comando Militar do Sudeste informou que o Exército está prestando todo o suporte à família de Rafael para a realização do velório e sepultamento. O jovem está sendo velado no Velório Municipal Liberato Tayano, ao lado do Cemitério da Saudade, na Vila Cardia, e será sepultado às 15h30 desta terça-feira (26), no Cemitério do Redentor.
Município recolhe um cavalo dia sim, dia não
Em um verdadeiro trabalho de "enxugar gelo", o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru recolhe um cavalo a cada dois dias na cidade. Em 2017, até o momento, foram 125 animais de grande porte apreendidos, sendo 106 cavalos - a maioria deles perambulando pelas ruas ou rodovias.
Diretor do Departamento de Vigilância Ambiental do município, Luiz Cortez revela que o índice de reincidência é elevado, principalmente devido à fragilidade das leis municipais existentes. Pelas regras atuais, a não ser em caso de maus-tratos, para reaver o animal, o proprietário deve apenas pagar taxa de R$ 124, além de multas diárias de R$ 64 relativas à permanência no CCZ.
Mas, havendo comprovação de que o dono depende do animal para subsistência, ele é isento das cobranças. "Esta prerrogativa só é autorizada uma vez por ano, mas, na prática, os proprietários arrumam um 'laranja' para a retirada".
Ainda de acordo com Cortez, por ser inespecífica, a lei municipal que controla a criação de animais de grande porte em Bauru acaba gerando brechas a múltiplas interpretações, dificultando a recolha definitiva. "Já o novo projeto de lei lista, de maneira objetiva, todos os animais cuja criação deve ser proibida dentro do perímetro urbano, sem exceções", frisa.
Pelo texto, de autoria dos vereadores Coronel Meira e Yasmin Nascimento, para reaver bois, cavalos, jumentos, burros, cabras, ovelhas ou porcos, o dono deverá comprovar, por meio de documentos, para qual propriedade em área rural os animais serão destinados.
Vale lembrar que a Câmara Municipal aprovou, em maio do ano passado, a proibição também da circulação de carroças com animais na área urbana. Cortez pondera, contudo, que ainda faltam mecanismos para que ela possa ser integralmente aplicada, já que muitos dependem para subsistência.
"Pela lei, a prefeitura deveria viabilizar um novo emprego para esta pessoa e só então recolher o animal. Trata-se de uma questão cultural e social, que demandaria uma ação integrada", observa.
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Estiagem aumenta riscos
A estiagem que já castiga Bauru por aproximadamente 90 dias - interrompida apenas por uma semana de chuvas em meados de agosto - é um fenômeno que tende a agravar os riscos. Segundo o diretor do Departamento de Vigilância Ambiental de Bauru, Luiz Cortez, nesta época do ano, cavalos e bois tendem a se deslocar para as margens das rodovias em busca de pasto verde. "Isso é resultado da criação inadequada, ou seja, estes animais são mal alimentados pelos donos e precisam procurar locais para pastagem. E, nas rodovias, o risco de morte se agrava, devido à velocidade com que os veículos trafegam", declara.
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