Cultura

Os 120 anos de Rodrigues de Abreu

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução
Rodrigues de Abreu: nascido em 27 de setembro de 1897

Biblioteca Rodrigues de Abreu (Centro Cultural, avenida Nações Unidas, 8-9). Praça Rodrigues de Abreu (a da Igreja Santa Terezinha). Escola Técnica Rodrigues de Abreu (rua Virgílio Malta, 12-70). Praça Rodrigues de Abreu em Capivari. E uma praça em São Paulo que quase mudou de nome. Alguns dos locais com nome do poeta adotado que, hoje, faria 120 anos. 

Ele, que veio de Capivari aos 24 anos, deixou sua marca em Bauru também como cartorário. Frequentou a noite da cidade, integrou-se a grupos de teatro como ator, escreveu três livros e não resistiu à tuberculose: sucumbiu, aos 30 anos, em 24 de novembro de 1927.

Ex-presidente da Academia Bauruense de Letras, Joaquim Simões, 77, foi o autor da ideia de que a cadeira 4 na entidade (do próprio Simões) tivesse como patrono Rodrigues de Abreu. "Viveu no começo do modernismo e foi um poeta que marcou bem Bauru com suas obras", destaca.

Simões ressalta: Rodrigues (que também manteve contatos com talentos do porte de Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade) "serviu de inspiração a muitos poetas pela qualidade de seu trabalho". "Meu livro 'Liberdade Absoluta' foi em defesa de Rodrigues de Abreu que, no início, tinha influência parnasiana", diz Simões.

Ele lembra que o próprio Rodrigues tentou destruir seu primeiro livro, "Nocturnos" (1919), justamente por causa da inspiração parnasiana (antagônica ao modernismo que Rodrigues abraçaria depois).

O 'CASO MARROCOS'

Rodrigues de Abreu escrevera "Nocturnos" em Piracicaba. Depois vieram "A Sala dos Passos Perdidos" (concebido em Capivari e publicado em 1924) e "Casa Destelhada" (1927, Bauru).

"Casa destelhada era, na verdade, ele próprio, já de frágil saúde", observa Simões. "Chegou a buscar tratamento em Atibaia e Campos dos Jordão com a ajuda de amigos".

Simões traz à tona outra história: uma praça em São Paulo com nome Rodrigues de Abreu que o então prefeito Jânio Quadros tentou mudar para Reino de Marrocos. "A Academia Paulista de Letras foi contra a alteração e até mesmo representantes de Marrocos se opuseram a isso".

Benedito Luis Rodrigues de Abreu hoje está no Paraíso: o bairro paulistano que, a duras penas, também preservou praça com seu nome. Mais uma para a eternidade.

Um trecho do poema ‘Bauru’ 

"Moro na entrada do Brasil novo.

Bauru! nome-frisson, que acorda

na alma da gente

ressonâncias de passos em

marcha batida

para a conquista soturna do

Desconhecido!

Cidade de espantos!"

Perambula pelas ruas...

O escritor J. R. Guedes de Oliveira acrescenta, em texto enviado ao Jornal da Cidade: "Há quem diga que Rodrigues de Abreu perambula pelas ruas de Bauru, espargindo a sua poesia, o seu encanto, a sua beleza de verbo, o seu encanto de artista e homem consagrado, desses que leva no peito a formosura dos versos e na fronte a sabedoria beneditina".

‘Ele via além da imaginação reinante’

"Há uma corrente fortíssima de ensaístas e estudiosos das obras do poeta que nos diz categoricamente que Abreu viveu além do seu tempo. O pensamento futurólogo de muitos (e esta é uma área que desconhecemos e que nos permite, assim, silenciar) diz que Abreu via muito além da imaginação reinante na década de 20". (J. R. Guedes de Oliveira, biógrafo de Rodrigues de Abreu e ensaísta).

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