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Bolsistas tentavam outros caminhos

Marcus Liborio
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Malavolta Jr.
Lucas Cinchetto é cumprimentado por Gazzetta (dir), além de Toninho Gimenez, José Eduardo Fogolin e Sandro Bussola

Lucas Octaviano Cinchetto, 21 anos, e Lidia Jacinta Nunes Fernandes, 24, estão no último ano da faculdade: ele de jornalismo e ela de fisioterapia. Com 22 anos, Alue Marcolino Gomes chegou a cursar um ano de fonoaudiologia e Danilo Anderson Pereira fez um tempo de enfermagem. Já Erick Oliveira Pereira iniciou, mas não terminou, biologia e engenharia. O que eles têm em comum? Agora, poderão realizar um sonho: estudar medicina.

Os jovens estão entre os 10 alunos de Bauru que receberão bolsa integral para cursar medicina na Uninove, já a partir da próxima quarta-feira. Diante de inúmeras dificuldades, seja para alcançar a vaga na faculdade em meio à concorrência acirrada ou simplesmente por questões de sobrevivência, a maioria dos estudantes contemplados pelo benefício já havia seguido caminhos divergentes ao desejo profissional de cada um.

"Desde o colegial eu já queria ser médico. Comecei a fazer o simulado e percebi que, por ter estudado em escola pública, não era suficiente para ser aprovado em uma faculdade pública de medicina. Como eu não tinha como pagar, acabei prestando outro curso. Passei em jornalismo e optei por vir de Dois Córregos para estudar em Bauru. Então, acabei abandonando a medicina. Achei que nunca mais fosse dar certo", conta Lucas.

Ontem, o jovem recebeu, das mãos do prefeito Clodoaldo Gazzetta e do secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, a notícia de que ele era um dos bolsistas contemplados. Ainda ganhou, de presente, um jaleco e um estetoscópio (itens básicos para os estudos), a exemplo do que já havia ocorrido com outros três alunos na sexta-feira, conforme o JC divulgou.

O estudante revelou que nunca se sentiu completamente feliz com o curso atual, embora goste do estágio que faz em uma emissora de TV local. Graças a esse trabalho, inclusive, ele pôde se manter em Bauru e bancar as despesas sozinho, como o aluguel da quitinete em que reside no Jardim Colonial. "Agora, com a Medicina, vai mudar tudo na minha vida", comemora.

SACRIFÍCIOS

Lidia Fernandes já havia desistido do sonho de ser médica. "Passei em engenharia mecânica e civil, odontologia, fonoaudiologia, mas medicina não havia atingido a nota. Este ano, decidi me dedicar somente à fisioterapia, pois estou no último ano", conta.

Ela, que mora no Jardim Ouro Verde com o marido, o pedreiro Regis Fernandes de Lima, 28, e o filho do casal, Ruan Daniel, 6 anos, lembra das dificuldades e desafios para sustentar o seu sonho de ser médica e atribui a conquista ao esposo.

"Eu acordava às 6h para estudar e ia até de noite. E ainda tinha que cuidar da casa e do meu filho. Meu marido segurou a onda. Ele me amou e me apoiou. Bancava as despesas da casa para eu estudar. Foi ele quem fez a inscrição e pagou a minha matrícula", elogia.

"Estávamos até planejando mudar de cidade para que ela pudesse tentar de novo a medicina. Agora, não será preciso. Fico feliz por ter colaborado com essa conquista. É uma oportunidade única em nossa família", destaca Regis.

A equipe do prefeito Clodoaldo Gazzetta também passou na casa dos agora bolsistas Ana Carolini Ribeiro Rodrigues, 22 anos, e Vinícius Batista de Carvalho, 19 anos. Por ser uma das contempladas, Ana Silvia Delarmelindo, 24 anos, também recebeu a visita, mas preferiu não ter imagens veiculadas.

Ouros dois bolsistas não autorizaram a divulgação da identidade e de imagens.

MAIOR EMOÇÃO

Os dez selecionados para receber a bolsa para o curso de medicina na Uninove são residentes em Bauru e integram famílias com renda per capita de até um salário mínimo e meio. A cada ano, a universidade oferecerá 100 vagas para medicina, sendo 10% reservadas a bolsistas, de acordo com exigência do programa Mais Médicos, que escolheu a instituição, em 2015, para oferecer o curso.

Durante a entrega dos jalecos e estetoscópio ontem, Clodoaldo Gazzetta voltou a se emocionar. "Talvez essa tenha sido a maior emoção que já senti na minha vida política. É algo que nos gratifica muito. E essa ação vem coroar o espírito que o nosso governo tem implementado, que é de cuidar das pessoas".

O secretário José Eduardo Fogolin ressalta que a oportunidade não somente mudará totalmente a vida dos bolsistas, mas também serve para estimular outros alunos de escola pública. "Eles vão dizer para si mesmos: 'também tenho condições de ser um médico. Tudo isso é importante não só para a área da saúde como também para a educação", aponta.

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