Tribuna do Leitor

A política do "Ágora"

Luiz Gustavo de Oliveira - Estudante de Direito
| Tempo de leitura: 1 min

Nostálgica dinâmica de exercício do sufrágio remete-se a comunidade Grega das Cidades-Estado na antiguidade, na qual o povo reunido no Ágora deliberavam diretamente sobre os assuntos de interesse da comunidade local. Ágora era denominado como um largo público, tal qual se espelham as praças e jardim da urbe moderna.

A intervenção direta dos cidadãos atenienses nas discussões de condução da política local permeavam assuntos deliberativos sobre guerra e paz, conclusão de tratados de aliança, acusação e julgamento que variavam da pena de morte ao ostracismo comunitário.

Contudo, decorrente das tarefas e afazeres dos civitas (cidadãos romanos), a contínua participação nas reuniões do Ágora tornou-se deficitária, exigindo a presença de representantes, inaugurando assim o contemporâneo instituto da representatividade exercido na política moderna.

Referida delegação decorre do exercício do Sufrágio resgatado pelo constituinte originário na Carta Republicana de 1988 após o golpe de 64 que cerceou os direitos políticos da nação brasileira. Salutar resgate histórico abarca a discussão da crise de representatividade moderna, que envolta em escândalos exime-se de exercer a função primaz de ser a voz do povo nas casas legislativas.

Verifica-se nesta isenção, um velado interesse que diverge dos ditames que regem a essência da Instituição legislativa nacional, incorrendo em atos que não atendem ao interesse da Soberania Popular

Ilustra a referida crise as discussões das reformas que atentam contra os direitos resguardados pela Constituição Federal, tais projetos discordam dos anseios do Soberano detentor do poder, o povo, que afrontado em sua dignidade combate as arrostas impostas por aqueles que deveriam exercem a Politica em favor da coletividade.

Notória inviabilidade perfaz o resgate na dinâmica participativa exercida no "Ágora", todavia , não pode permanecer passivo as ingerências de tais representantes, que na conquista do voto dispuseram legislar em favor do Soberano popular.

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