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90% da Catalunha diz sim à separação

FolhaPress
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Yves Hermann/Reuters
Toni Flotats de 90 anos é aplaudido após conseguir votar: sonho de independência catalã

Cerca de 844 pessoas ficaram feridas em distúrbios em toda a Catalunha no domingo, informou o governo regional, quando a polícia de choque entrou em confronto com pessoas que se reuniram para um referendo, proibido por Madri, para a independência da região da Espanha.

Apesar desses confrontos fartamente documentado por fotos postadas na internet, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou ontem que "o plebiscito sobre a independência da Catalunha não existiu". Em pronunciamento no começo da noite (horário espanhol; tarde no Brasil), o líder conservador afirmou que a consulta popular "foi impedida com o fundamento da lei, com o respaldo dos democratas, com a atuação dos tribunais".

Rajoy defendeu a atuação da polícia, criticada pela oposição pelos embates violentos do dia. Ele disse ainda que está aberto ao diálogo para resolver a questão de maneira política.

O governo catalão, porém, tem sinalizado não ter mais paciência para negociar, após anos insistindo em se sentar à mesa com Madri. Mais cedo, o porta-voz do governo regional catalão, Jordi Turull, havia dito que o governo espanhol responderia nas cortes internacionais pela violência usada pela polícia para impedir a realização da votação.

O Departamento de Saúde da Catalunha informou que mais de 800 pessoas ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança. "O que a polícia está fazendo é simplesmente selvagem, é um escândalo internacional", disse Turull.

Segundo o governo regional, a polícia espanhola conseguiu fechar 319 postos de votação de um total de cerca de 2.300. "Pedimos àqueles que não conseguiram votar para se dirigirem aos locais que não foram fechados", disse Turull, acrescentando que milhões de votos foram computados, mas sem saber dizer quando a contagem seria finalizada. Naquele momento, os resultados preliminares apontam que uma esmagadora maioria votou pela independência catalã em um referendo que foi proibido pelo tribunal constitucional e declarado ilegal por Madri.

"O Estado espanhol ficou muito comprometido e acabará respondendo aos tribunais internacionais", disse o porta-voz do governo regional da Catalunha, Jordi Turull, durante uma conferência de imprensa.

GREVE GERAL

Grupos pró-independência e sindicatos da Catalunha convocaram uma greve geral na região espanhola para o dia 3 de outubro, ou seja, amanhã  informou o jornal La Vanguardia citando o chefe do grupo Omnium Cultural, Jordi Cuixart. A produção econômica da Catalunha vale cerca de um quinto do Produto Interno Bruto total da Espanha e a região tem uma economia em torno do tamanho do Chile.

PORTA ABERTA

O chefe do governo regional catalão no domingo abriu a porta para uma possível declaração de independência da Catalunha, depois de um dia de tensões na região do nordeste da Espanha, onde a polícia foi acionada para frustrar a votação sobre a independência.

"Neste dia de esperança e sofrimento, os cidadãos da Catalunha ganharam o direito de ter um Estado independente sob a forma de uma república", disse Carles Puigdemont em um pronunciamento televisionado, cercado por membros de seu governo.

Logo depois ele também anteciparia que 90% dos que votaram estavam a favor da independência.

"O meu governo, nos próximos dias, enviará os resultados do voto de hoje ao Parlamento da Catalunha, onde reside a soberania do nosso povo, para que possa agir de acordo com a lei do referendo", disse ele.

A lei do referendo prevê uma declaração unilateral de independência pelo Parlamento regional da Catalunha se a maioria votar para deixar a Espanha, fato praticamente consolidado. Hoje os números finais de quantas pessoas votaram já serão oficializados. E mais: a convocação de greve geral deve atingir em cheio ao governo de Madri.

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