| Samantha Ciuffa |
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| Tenente-coronel Flávio Kitazume e o vereador Coronel Meira destacaram, na Câmara Municipal, os efeitos do BO Social |
As ocorrências policiais que geram mais reincidência e integram conflitos pessoais, alcoolismo, agressão a menor, uso de droga e perturbação do sossego poderão integrar o projeto Boletim de Ocorrência Social. Comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), Flávio Kitazume confirmou nessa segunda-feira (2) que o programa implantado em cidades como Jaú, Presidente Prudente, Presidente Wenceslau e Assis deve chegar a Bauru.
Conforme Kitazume, trata-se de um serviço que vai gerar ferramenta capaz de monitoramento e atenção concentrada em casos que não envolvem crimes como roubo e furto e também não dizem respeito a eventos mais graves, como homicídio.
"Temos um conjunto de ocorrências atendidas pela Polícia Militar que representam casos de desinteligência, de conflitos ou de problemas que podem e devem ser atendidos sob outra ótica. O Boletim de Ocorrência Social interliga dados, oferece condições de acompanhamento e permite ação dirigida, pelo órgão que atua mais especificamente naquela questão", cita.
A PM já implantou o serviços em algumas cidades paulistas, sendo Jaú a primeira da região a aderir ao sistema, conforme o JC noticiou na semana passada.
"Em Bauru, estamos acompanhando como foi feito esse trabalho em outras regiões para ver quais os passos devem ser seguidos para ser implementado por aqui. Acho que é um serviço que dá vazão a problemas que chegam e param na polícia, mas não são mais de sua competência para agir. A polícia faz o trabalho de atendimento a essas ocorrências, faz o trabalho preventivo. Mas há um número elevado de ocorrências em reincidência. Se todos os órgãos tiverem acesso a esses registros, será possível que cada um atue em sua área", comenta.
Para Kitazume, o combate à reincidência em ocorrências gera benefícios. "À medida que cada órgão dá vazão às ocorrências de sua área, à medida que as instituições tenham um sistema em que possam acessar, acompanhar e agir e trocar informações sobre o que foi feito, o fluxo da demanda cai. A vantagem imediata é de derrubar reincidências, o que significa otimizar serviços. Mas também permite que o problema tenha encaminhamento para ser encontrada uma solução. Isso em álcool, drogas, perturbação do sossego, agressões a menor, desinteligência. Há órgãos especializados que atuam nesses casos, mas não há acesso ao registro de ocorrências através de um sistema único", reforça.
INTERLIGAÇÃO
O vereador e policial aposentado Coronel Meira (PSB) aposta no serviço. "É filho que agride pai e mãe, é alcoólatra, drogado, casos de agressão, desentendimentos entre vizinhos. São casos que merecem uma atenção especial e tem o conteúdo, na maioria das vezes, de uma ocorrência em que pode ser evitada a reincidência. Um software vai interligar órgãos como o Cras, o Caps, a Sebes, Conselho Tutelar. A PM terá condições de fornecer subsídios em razão de fazer o atendimento dessas ocorrências. E isso elimina reincidência e libera a PM para agir em outras demandas. A informação estará disponível para todos os órgãos. 50% das ocorrências policiais são de conteúdo social", aborda o parlamentar.
O Comando da PM disse que o projeto será discutido com órgãos interessados. "Vamos recolher informações sobre a forma de implantação nas outras cidades e se reunir com todos os órgãos envolvidos para discutir estrutura de implantação, de interligação do sistema. Estamos trabalhando para implantar até o final deste ano", finalizou Kitazume.
