Tribuna do Leitor

As privatizações voltam a ser remédio para ineficácia do Estado!

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

"Diz a lenda que um príncipe Hindu, certa vez, chamou um ourives e encomendou uma joia que o moderasse em seus momentos de glória e grande alegria. E que ao ver-se em sofrimento ou em desgraça, esse objeto lhe pudesse trazer algo de consolo. O ourives então confeccionou um belíssimo anel com uma singela inscrição: Isso Passará!"

As privatizações voltaram nesse governo a frequentar as páginas dos jornais do Brasil. Dessa vez, apresentadas como solução pelo governo Temer e seus aliados. Claro que sabemos que alguns segmentos não devem ficar nas mãos dos nossos nefastos governantes, por pura incompetência e pela probabilidade gigantesca de haver corrupção enquanto estiverem sob a tutela dos mesmos e de seus apadrinhados políticos.

Sabemos que o motivo não é bem esse, mas sim o fato de que o governo Temer torrou em um ano muito dinheiro público e está com um rombo ainda maior do que o deixado por sua antecessora, da qual ele era vice até o impeachment.

O processo de privatização deu certo em muitos países do chamado primeiro mundo, como, por exemplo, na Inglaterra. Entretanto, não podemos cogitar quaisquer comparações com países que possuem governos honestos e com propósitos e missões que visam beneficiar a nação e o seu povo. O que não acontece em nosso País, cercado de quadrilhas travestidas de partidos políticos.

Voltando ao Brasil, na década de 90, o processo de privatização ganhou corpo através de Fernando Collor, que timidamente privatizou algumas empresas antes de ser cassado pelo Congresso Nacional. Em 1995, com o início da era tucana (1995-2001), o processo voltou travestido de uma dose cavalar de neoliberalismo. O País privatizou muito, porém, foi o Estado de SP, capitaneado por Covas, Serra e Alckmin, que mais privatizou em todo território nacional. Comgás, Nossa Caixa, Banespa, Cesp, Cteep, CPFL, Eletropaulo e muitas outras empresas renderam aos cofres estaduais cerca de R$ 80 bilhões. Dinheiro que sumiu no ralo da ineficiência e cuja origem jamais foi explicada à população, que, 20 anos depois, está sem saúde pública, educação, habitação e segurança de qualidade.

O processo de privatização das Teles no governo de FHC, assim como Empresa Vale do Rio Doce, são provas vivas do suspeito processo de venda abaixo dos verdadeiros valores reais destes segmentos e das facilidades dadas aos seus compradores. Tudo muito bem explicado no Livro de Amaury Ribeiro Jr "A Privataria Tucana". Obra que contém documentos secretos e a verdade sobre o maior assalto ao patrimônio público brasileiro. Explicando e provando como foi a viagem das fortunas tucanas até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Agora, que está acuado e sem respaldo popular, Michel Temer e sua grotesca equipe econômica ressuscitam as privatizações como remédio para estancar o rombo bilionário nas contas públicas. Colocando cerca de 50 empresas entre aeroportos, casa da moeda, etc., para venda em 2018.

Mesmo que todas fossem vendidas, o dinheiro arrecadado, assim como nas privatizações tucanas, irá sumir no ralo da ineficiência e da corrupção que grassa no País, em particular no Poder Executivo.

Bastou a divulgação da intenção do governo para que a Infraero acusasse um prejuízo bilionário caso o processo de privatizações de aeroportos seja concluído. No mesmo compasso, a Aneel informa que o processo de privatização da Eletrobrás vai onerar ainda mais as nossas contas de energia.

Entre os objetivos do processo de privatização, não está certamente o de sanear dívidas de um Estado mal administrado, repleto de corrupção e desvios de finalidades. Além de fadado ao erro, o País perderá e muito com mais essa insanidade deste governo medíocre e sem credibilidade.

 

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