São Paulo - Empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato encontraram fontes alternativas de financiamento para tocar projetos no exterior que contavam com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e foram suspensos pelo banco no ano passado.
Em maio de 2016, logo após o impeachment de Dilma Rousseff e sua substituição pelo presidente Michel Temer, o banco bloqueou recursos destinados a 25 obras de construtoras brasileiras no exterior alegando que precisava reavaliar os contratos assinados pelo governo petista.
Desde então, apenas três projetos tiveram dinheiro liberado novamente, após a assinatura de termos de compromisso em que as empreiteiras e os países que as contrataram prometem adotar medidas para impedir que ocorram desvios nas obras.
As próprias empreiteiras conseguiram garantir recursos de governos e bancos estrangeiros para reativar outros cinco projetos sem o financiamento do governo brasileiro e negociam com bancos internacionais empréstimos para retomar mais três.
O BNDES foi a maior fonte de financiamento dos projetos das empreiteiras no exterior nos últimos anos. Entre 2007 e 2015, o banco oficial aprovou empréstimos no valor total de US$ 14 bilhões para obras em 13 países. Os 25 contratos com recursos bloqueados no ano passado representavam metade disso.
A Odebrecht conseguiu manter o contrato para construção de uma usina termelétrica na República Dominicana com financiamento do governo local e de um consórcio de bancos europeus que entrou no projeto com garantias da agência italiana de fomento à exportação. A italiana Tecnimond é sócia da Odebrecht no empreendimento.
A empreiteira brasileira diz ter assegurado também com bancos estrangeiros os recursos necessários para retomar as obras de duas estradas na República Dominicana. Somados, os três projetos da Odebrecht no País tiveram US$ 1 bilhão em financiamentos suspensos pelo BNDES.
A Andrade Gutierrez negocia com bancos e investidores estrangeiros a retomada de dois empreendimentos na Venezuela, uma siderúrgica e um estaleiro, para os quais o BNDES tinha garantido empréstimos de US$ 1,5 bilhão.
Na Argentina, o BNDES se retirou de um projeto contratado com a OAS que contava com US$ 165 milhões do banco oficial. A obra foi retomada com recursos do governo de uma província argentina. O BNDES informou que está analisando os demais projetos, mas não deu detalhes.