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Novo Ensino Médio ainda gera dúvidas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos/JC Imagens
Mote de debates acalorados, a Reforma do Ensino Médio ainda gera dúvidas entre as escolas públicas e particulares de Bauru

Mote de debates acalorados, a Reforma do Ensino Médio ainda gera dúvidas entre as escolas públicas e particulares de Bauru. Pelo menos, a comunidade terá mais tempo para discutir a mudança, já que a sua implantação não sairá do papel até 2018, conforme prevê o Ministério da Educação (MEC).

Coordenador do Núcleo Pedagógico de Tecnologia Educacional da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru, Geferson Bernardini alega que as escolas públicas do município, assim como as demais unidades vinculadas à DRE, não estão se preparando para abrigar o novo sistema.

E Bernardini vai além, ao alegar que a falta de informações é tanta que sequer consegue estabelecer uma posição sobre o tema. "A ideia é boa, mas ainda tenho dúvidas. Enfim, estamos aguardando as orientações do MEC", pondera.

Já o diretor do Anglo Bauru, André Ricardo Cola, acredita que a alteração seja necessária, principalmente, para combater a evasão escolar. "A grade atual pouco contempla essa geração que procura algo mais prático e que envolva tecnologia. No caso das escolas públicas, muitos acabam largando os estudos, perdendo o interesse", diz.

Todavia, o educador contrapõe que o desafio será implantar a mudança, essencialmente, nas escolas públicas. "O texto prevê um aumento da carga horária do Ensino Médio, fato que exige investimento para a contratação de professores, a ampliação de salas de aula e a melhoria dos laboratórios", destaca.

Diretor do Grupo Preve e do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Duda Trevizani enxerga um avanço para os jovens que querem entrar mais rápido no mercado de trabalho. "É bastante comum que, em países europeus e nos EUA, os estudantes tenham noções de profissionalização no Ensino Médio", ilustra.

Por outro lado, o educador reconhece que as escolas públicas e, até mesmo, algumas privadas terão um desafio e tanto pela frente.

O QUE MUDA

A Reforma do Ensino Médio é uma mudança estrutural desse período escolar. Ao propor a flexibilização da grade curricular, o novo modelo permitirá que o estudante escolha a área de conhecimento que aprofundará os seus estudos. A nova estrutura terá uma parte que será comum e obrigatória a todas as escolas e outra, flexível.

Segundo o MEC, "o Ensino Médio aproximará, ainda mais, a escola da realidade dos estudantes, à luz das novas demandas profissionais do mercado de trabalho".

O currículo do novo Ensino Médio será norteado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - conjunto de orientações que deverá direcionar os currículos das escolas das redes pública e privada de ensino, de todo o Brasil, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.

A BNCC definirá as competências e conhecimentos essenciais que deverão ser oferecidos a todos os estudantes na parte comum, além das quatro áreas do conhecimento - Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza - e todos os componentes curriculares do Ensino Médio, definidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e nas diretrizes curriculares nacionais de educação básica.

As disciplinas obrigatórias, nos três anos de Ensino Médio, serão Língua Portuguesa e Matemática. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas ou a cursos técnicos. Cada Estado e o Distrito Federal organizará os seus currículos, considerando a BNCC e as demandas dos jovens.

A BNCC já foi encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), que terá de aprová-la para, depois, ser homologada pelo MEC. Logo, a implantação do novo Ensino Médio não deverá acontecer em 2018, já que depende da aprovação da Base Curricular.

O que os alunos pensam?

Douglas Reis
Os alunos Beatriz Ribeiro Bello e Henry Rocha Simonetti falam sobre a Reforma

O estudante do 3.º ano do Ensino Médio do Anglo Bauru Henry Rocha Simonetti, de 17 anos, acredita que a proposta do MEC seja boa, porém, pouco dialogou com os alunos e professores brasileiros. "Foi tudo muito rápido e as pessoas não tiveram muita informação sobre o assunto", complementa. Ainda segundo Simonetti, o País não tem condições de implantar tal mudança. "Precisamos reformar, também, o Ensino Fundamental e dialogar bastante com os alunos e professores antes de implantar qualquer coisa", argumenta.

Colega de sala do estudante, Beatriz Ribeiro Bello, de 17 anos, defende que as escolas públicas têm pouca ou nenhuma estrutura para abrigar a mudança. Em relação à escolha da área que o aluno tiver maior afinidade já no Ensino Médio, a estudante vê a ideia de maneira positiva. Porém, os vestibulares e o próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não mudarão a sua estrutura. "Como o aluno conseguirá realizar essas provas, que exigem conhecimentos em todas as áreas?", questiona.

Ensino técnico e profissionalizante

Segundo o MEC, a formação técnica e profissional será mais uma alternativa para o aluno, com a mudança do Ensino Médio. Hoje, se o jovem quiser cursar uma formação técnica de nível médio, ele precisa estudar 2.400 horas no Ensino Médio regular e mais 1.200 horas no técnico.

O novo modelo permitirá que o aluno opte por uma formação técnica e profissional dentro da carga horária do Ensino Médio regular, desde que ele continue cursando Português e Matemática até o final. E, ao final dos três anos, ele terá um diploma do Ensino Médio e um certificado do Ensino Técnico.

Diretor do Colégio Técnico e Industrial (CTI), Edson Alberto de Antonio concorda com a escola em tempo integral, porém, duvida que a União tenha recursos suficientes para custear qualquer curso profissionalizante nas escolas públicas.

Samantha Ciuffa
O diretor pedagógico do Colégio GBI, Sidinei Marchiori

"Um curso 'barato' é o de informática, basta montar dois laboratórios, cujo investimento médio é de R$ 200 mil, fora a manutenção da iniciativa. Qual estrutura as escolas públicas têm para montar um curso profissionalizante, por mais 'barato' que seja?", pondera.

Pensando no futuro: educador dá dicas

Antes de se preocupar com qualquer mudança que venha a ocorrer no Ensino Médio, os estudantes têm outro desafio: o de pensar no futuro. Diante disso, o diretor pedagógico do Colégio GBI, Sidinei Marchiori, separou algumas dicas para a garotada.

Optar por aulas particulares para aprofundar o conhecimento ou, até mesmo, descobrir novos caminhos podem ajudar. O apoio da família também é imprescindível. "Apenas matricular o seu filho na escola não garante um bom desempenho. Quando os pais se importam, o aluno se sente seguro e passa a valorizar os estudos", destaca.

Outro conselho do educador é o de que o adolescente deve seguir a sua vocação, observando as novas tendências do mercado de trabalho. "O Portal Exame mostra que as profissões mais procuradas e bem-sucedidas envolvem sustentabilidade, infraestrutura, saúde e qualidade de vida, recursos humanos, tecnologia da informação e direito", revela. Segundo Marchiori, se o adolescente ainda estiver indeciso, o teste vocacional é uma boa opção.

 

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