Diante da "percepção mais clara" sobre a recuperação da atividade econômica, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado revisou suas projeções para o crescimento do País neste e no próximo ano. Segundo a IFI, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar 0,7% em 2017 e 2,3% em 2018.
Antes, a IFI previa crescimento de 0,46% este ano e 1,93% no ano que vem. A melhora nos indicadores, no entanto, leva em consideração a aprovação da reforma da Previdência, ainda que "com prazo mais dilatado".
"O ajuste para cima nas projeções do PIB decorre da incorporação do resultado positivo do segundo trimestre e do bom desempenho dos indicadores. O consumo das famílias assume o papel de protagonista no processo de retomada da economia, em substituição à agricultura", analisa a instituição.
No cenário pessimista, sem reformas, o País crescerá apenas 0,3% este ano e 0,4% em 2018, segundo a IFI. Já no cenário otimista, com um programa mais abrangente de ajuste fiscal (para além da reforma da Previdência), o PIB deve avançar 0,9% em 2017 e 3,1% no ano que vem.
A instituição ainda prevê um déficit de R$ 156,2 bilhões nas contas do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central) este ano, levemente abaixo da meta, que permite rombo de até R$ 159 bilhões.
No médio prazo, porém, o "desafio é expressivo", ressalta a instituição. Um superávit primário deve ocorrer só em 2024 - mais tarde do que espera o governo, que prevê receitas maiores que despesas já em 2021.
A IFI ainda alerta para a aceleração do crescimento dos gastos obrigatórios. Segundo a IFI, a chamada "margem fiscal" está ficando cada vez menor para as discricionárias - que incluem despesas necessárias ao funcionamento da máquina pública.