![]() |
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que um dos bebês cujas mães tiveram zika em Bauru no ano passado nasceu com uma alteração neurológica provocada pelo vírus durante a gestação. O caso vem sendo monitorado desde o nascimento da criança, no segundo semestre do ano passado, e o diagnóstico de síndrome de Morsier, também conhecida como displasia septo-óptica, foi fechado em avaliações que envolveram o Ministério da Saúde.
O bebê, do sexo masculino, tem hoje um ano de vida e está sendo acompanhado por profissionais da Sorri Bauru. Segundo Ezequiel Santos, diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, a síndrome provoca malformação de uma área do sistema nervoso central, podendo causar cegueira e distúrbios neurológicos.
"Mas, até o momento, a criança não apresentou nenhum tipo de problema e seu desenvolvimento ocorre dentro da normalidade", revela. Contudo, pelo fato de o zika vírus ser uma doença nova e ainda pouco estudada pela medicina, não é possível dizer se o bebê está livre de complicações no futuro.
"Ainda não há muito parâmetro dentro da comunidade científica. Algumas pesquisas estão sendo conduzidas por hospitais de ponta nos Estados Unidos em conjunto com o Brasil, mas as informações ainda são poucas", observa.
A alteração neurológica do paciente de 1 ano de idade, que não teve a identidade revelada, foi detectada por meio de exames de tomografia. Após análises realizadas com apoio do Ministério da Saúde, o município confirmou agora que a síndrome - que pode ter causas diversas - foi provocada pelo zika vírus contraído pela mãe durante a gestação.
Por cautela, outros quatro bebês gestados por mulheres que tiveram zika durante a gravidez em 2016, em Bauru, também estão recebendo atendimento na Sorri, já que alterações podem surgir em outros estágios de vida. Ezequiel informa que um deles nasceu com macrocefalia devido a outra infecção congênita, ainda não identificada.
"A mãe pode ter tido sífilis, toxoplasmose, herpes, citomegalovírus ou rubéola, por exemplo. Mas, neste caso, o zika não foi a causa. Até mesmo uso de drogas ou gravidez precoce podem gerar alterações neurológicas no bebê", descreve.
Nas outras três crianças, não foi detectado qualquer tipo de malformação, mas elas serão acompanhadas pela rede de saúde municipal até completar dois anos de idade, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
INCIDÊNCIA
A literatura diz que a síndrome de Morsier - que recebeu este nome em referência ao especialista que a descreveu pela primeira vez, em 1956 - pode fazer com que crianças tenham perda de visão, deficiência intelectual e problemas hormonais.
Em todo o mundo, um em cada 10 mil bebês nasce com a doença, que ocorre durante o desenvolvimento do embrião.
|
Dengue registra queda em 2017
Neste ano, nenhum caso de zika vírus e febre chikungunya foi registrado em Bauru. Já o número de infectados por dengue caiu sensivelmente, segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde.
Nas primeiras 33 semanas do ano - ou seja, de janeiro até a primeira quinzena de agosto, foram contabilizados 42 casos da doença, ante a 1.321 registros no mesmo período do ano passado.
Segundo Mário Ramos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva da secretaria, a redução no volume de casos é cíclica e motivada pelo chamado "esgotamento de suscetíveis", o que leva a um alerta ao próximo ano e, por isso, as medidas preventivas devem continuar.
"Trata-se de uma característica natural da epidemiologia da dengue. Como muitas pessoas já tiveram a doença, elas ficam imunes aos tipos específicos com que foram contaminadas", explica Ramos.
O vírus da dengue possui quatro tipos diferentes e o fato de poucos casos terem sido registrados em 2017 leva a crer que o vírus predominante neste ano seja o mesmo de anos anteriores. "Nos últimos cinco anos, tivemos a circulação dos tipos 1 e 3. Em 2017, ainda não fizemos o isolamento viral, mas podemos supor que os tipos sejam os mesmos", completa.
|
