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Professor muito além da sala de aula

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

"Quando eu era criança, fui ensinada que uma professora é uma segunda mãe". Com essa frase, a professora da rede estadual Angela Aparecida dos Santos Erba, 48 anos, define o sentimento que tem por seus alunos. No Dia do Professor, celebrado hoje, a homenagem é para esses profissionais fundamentais na formação de uma pessoa e que, assim como Angela, preocupam-se com o bem-estar e a saúde de seus alunos além da sala de aula.

A professora, atualmente, leciona para crianças de 1.º a 5.º da Escola Estadual Sebastiana Valdiria Pereira da Silva, no Parque Jaraguá. Ela comenta que sempre teve a preocupação de participar da vida dos alunos.

"As pessoas costumam definir que os pais educam e os professores ensinam, mas, na realidade, é muito difícil dividir essas duas coisas em sala de aula. Eu tenho a preocupação de educar e cuidar deles. Durante o ano, você acaba virando um pouco mãe dessas crianças", comenta.

Hoje, além do conteúdo programático, a professora consegue compartilhar amor, ternura e atenção. "Eu trabalho com crianças bastante carentes. Elas me contam algumas histórias que me cortam o coração. Converso com elas, dou carinho e tento ajudar como eu posso", comenta.

RECOMPENSAS

Angela teve um aluno com Síndrome de Asperger e autismo e, com ele, viveu uma experiência muito gratificante. "Eu tinha muito cuidado e me preocupava em incentivar a participação dele nas atividades e nas brincadeiras com os colegas. Foi um trabalho especial que fiz com ele e deu resultado. No final do ano, ele era outra criança", comenta.

Segundo conta a professora, a mãe do aluno também notou a diferença no comportamento do aluno dentro de casa, com os familiares. "Foi uma recompensa maravilhosa, vê-lo se desenvolvendo. A mãe dele veio me agradecer e eu fiquei muito feliz".

Além disso, a educadora interpretou a princesa Rapunzel, recentemente, em uma festa do Dia das Crianças organizada pelas professoras da escola onde trabalha. "A gente faz qualquer coisa pelo sorriso deles. Corremos atrás de tudo e pagamos pelo aluguel das fantasias. No meu caso, até o cabelo de Rapunzel eu fiz. Tudo recompensado pelo brilho nos olhos deles", afirma.

'UMA ALEGRIA SEM IGUAL'

Dedicada ao ensino infantil e apaixonada pela profissão, a professora Francine Taís Francisco, 35 anos, aproveitou a festividade do Dia das Crianças para surpreender com um presente diferenciado seus pequenos alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil Aracy Pellegrina Brazoloto, na Vila Dutra. "Resolvi, neste ano, fazer algo diferente para eles e com eles. Levei alguns materiais que eu mesma providenciei e fizemos juntos uma oficina de pião com materiais recicláveis. Eles nunca tinham visto um. Os olhinhos brilharam e foi uma alegria sem igual", comenta.

No tempo de estágio, 13 anos atrás, Francine passou por algumas escolas de periferia e, nelas, ouvia relatos inocentes sobre dificuldades. "Eu tinha um olhar diferenciado e uma preocupação maior com esses alunos, não em relação às atividades, mas se o aluno está se alimentando direito, como foi o final de semana e se estava tudo bem em casa. Sempre quis que me vissem como uma amiga, com quem eles podem contar", afirma.

Até o vestibular

Com 40 anos de profissão, a já aposentada professora Inês Aparecida Martinello Munhoz, 65 anos, acompanhou a vida de seus alunos desde o "abecedê". "Hoje são médicos, engenheiros, jornalistas, enfim, muitos profissionais que eu alfabetizei e vi crescer", comenta. Mesmo sem o contato diário na sala de aula, a professora sempre prezou por saber do rendimento dos que tinham sido seus alunos. "Eles continuavam na escola e eu conseguia acompanhá-los até passarem no vestibular. É gratificante, uma alegria muito grande. Sinto muita saudade da sala de aula", conclui.

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