| Marcus Liborio |
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| Festança: diversão garantida para crianças e adolescentes de seis abrigos diferentes de Bauru |
Um vento moderado trouxe frescor aos bauruenses na noite de domingo. Em meio ao calorão, alívio para todos. Ou melhor, quase todos. Não para um menino de 9 anos, que vive em um abrigo de Bauru. "Rezei a noite toda para que não chovesse". A preocupação dele era em poder aproveitar a piscina durante a 5.ª edição do Encontro de Abrigos, realizado nessa segunda-feira (16) no Fortaleza Atlético Clube, na Vila Falcão. "É o melhor dia de todos", justifica.
As preces do garoto (em respeito ao ECA, as identidades serão preservadas) foram atendidas e o sol brilhou forte ontem para as 60 crianças e adolescentes de seis abrigos da cidade, que passaram um dia diferente com direito a presentes, almoço, guloseimas à vontade e, claro, muita diversão.
"Faz cinco anos que promovemos o evento, que também comemora o Dia das Crianças. De lá pra cá, a realidade mudou, porque antes o intuito era promover o encontro de irmãos que viviam separados nos abrigos de Bauru", destaca Tatiana Calmon, uma das organizadoras da festa.
Ela revela que, atualmente, os irmãos vivem nos mesmos abrigos. "São poucos os casos daqueles que permanecem apartados. Estes são por causa de conflitos que já vinham de casa. A maioria que está aqui sofreu abusos e abandono. Por isso, hoje (ontem) é um dia mágico para eles".
ESPERANÇA E SONHOS
O evento é uma realização conjunta do Clube Fortaleza, Restaurante do Cícero e do Esquadrão do Bem, mas conta com o apoio das doações da comunidade bauruense. Em meio ao clima de festa, há esperança de dias melhores e sonhos a serem alcançados. Exemplo de uma adolescente de 17 anos, que há uma década vive em um abrigo da cidade.
"Quero ser médica e ajudar a acabar com o sofrimento das pessoas". Atualmente, ela cursa o 3.º ano do Ensino Médio e trabalha no setor administrativo de uma concessionária. O sorriso largo é de quem superou as dificuldades da vida, mas a memória ainda carrega lembranças amargas: desafios que serviram de aprendizado.
Com a mãe viciada em drogas, ela precisou trocar o convívio familiar pelo abrigo ainda muito cedo. "Lembro que eu estava na escola, aos 7 anos, e a diretora me chamou. Me colocaram numa van dizendo que iam me levar para uma festa. De fato, teve a festa mesmo. Porém, quando acabou, eu quis ir pra casa, mas não pude".
Ela revela que, no começo, sofreu bastante por estar longe de seu antigo lar. "Eu perguntava pela minha mãe toda hora. Foi difícil", conta, lembrando que teve três oportunidades de ser adotada, mas optou por ficar no abrigo para cuidar dos irmãos mais novos.
Diante da realidade dura dessas crianças e adolescentes, festas como as de ontem são importantes para promover um "dia diferente", aponta a coordenadora de um serviço social de acolhimento de Bauru, Andreia Bonalume. "É um momento de alegria", conclui.
