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A cada três dias, uma pessoa recebe diagnóstico de tuberculose em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Doença que obrigou centenas de pessoas a se exilar em sanatórios, matou poetas românticos como Castro Alves e Álvares de Azevedo e foi cantada em versos entre o final do século 19 e meados do século 20, a tuberculose ainda está longe de ser um mal do passado. A cada três dias, uma pessoa é diagnosticada com a enfermidade pela rede municipal de saúde de Bauru, uma média que vem se repetindo ao longo dos últimos anos, já que a doença, altamente contagiosa, é de difícil controle por atingir, principalmente, pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Para tentar mobilizar a população a buscar diagnóstico precoce e o devido tratamento, a Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde realiza, de 6 a 20 de novembro, uma campanha nas unidades básicas e nas especializadas, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI).

"Quem estiver com tosse por mais de três semanas deve procurar um dos postos e solicitar o exame, sem agendamento prévio. Diante do diagnóstico positivo, o tratamento, que é sempre gratuito, será iniciado", explica Ezequiel Santos, diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica.

Segundo as estatísticas municipais, 87 pessoas foram diagnosticadas com tuberculose em Bauru entre janeiro e setembro de 2017. No ano passado inteiro, foram 113 casos. Em 2015, houve 125 registros e, em 2014, 119. A Vigilância Epidemiológica estima que estes números não representem nem metade do volume de infectados, devido à elevada taxa de subnotificações, já que muitas pessoas sequer procuram ajuda médica.

Do total de pacientes diagnosticados, Santos explica que cerca de 30% são dependentes de drogas ou álcool e outros 10% são soropositivos. "Pelo abuso de substâncias psicoativas ou devido ao vírus HIV, a pessoa fica com a imunidade comprometida e, portanto, mais suscetível à adquirir tuberculose, que é uma doença oportunista", detalha.

E é também em razão deste perfil que a maioria dos doentes é do sexo masculino e tem entre 20 e 49 anos. "São pessoas em maior atividade, principalmente no período noturno, que acabam entrando em contato com indivíduos infectados", acrescenta.

CURA

Além de serem mais acometidos pela doença, os homens também demoram mais para procurar ajuda, reduzindo as chances de cura. Mas, em média, do total de pacientes diagnosticados - incluindo mulheres, 85% conseguem se recuperar.

"O problema é que a tuberculose é uma doença inicialmente silenciosa. Começa com uma tosse e, no decorrer das semanas, há surgimento de catarro e febre, até a pessoa começar a perder peso, ter dificuldade para respirar e começar a expelir sangue. Como os sintomas mais graves demoram a aparecer, ela pode procurar ajuda muito tardiamente", comenta, salientando que muitos pacientes também tendem a abandonar o tratamento, que é longo.

Outro agravante são as falhas de diagnóstico, já que a tuberculose pode ser confundida, inicialmente, com uma tosse alérgica comum. Além de aumentar as chances de morte, a demora para início do tratamento contribui para que um maior número de pessoas seja infectado. De acordo com Santos, um doente pode transmitir tuberculose para cerca de dez pessoas no seu entorno.

14 DIAS

A médica infectologista Geovana Momo Nogueira de Lima, do Hospital de Base de Bauru e do CRMI do município, explica que, após o início do tratamento, o doente pode infectar outros indivíduos por até 14 dias. Neste período, a recomendação é de que ele fique em repouso e utilize máscaras de proteção, com contato restrito com outras pessoas.

"O tratamento completo dura seis meses, com a administração de remédios específicos, oferecidos gratuitamente pelas unidades básicas de saúde de maneira supervisionada. A internação hospitalar, em isolamento, só é recomendada para os casos mais graves, com quadro de insuficiência respiratória ou outras doenças associadas", completa.

O QUE É

Ao falar, espirrar ou tossir, a pessoa com tuberculose expele pequenas gotas de saliva que contêm o bacilo de Koch e podem ser aspiradas por outro indivíduo. A enfermidade afeta principalmente os pulmões, mas também pode acometer outros órgãos e sistemas. Além de ser mais frequente, a tuberculose pulmonar é a forma responsável pela transmissão da doença. O diagnóstico é feito por meio da baciloscopia, que analisa a quantidade de bacilos em duas amostras de catarro colhidas do paciente. Em Bauru, os resultados, normalmente, ficam prontos em cerca de uma semana.

Divulgação
Infectologista Geovana de Lima: “Qualquer indivíduo com baixa imunidade pode ser acometido”

ALERTA

Segundo a médica infectologista Geovana de Lima, o Brasil é o 19.º país no mundo com maior número de casos de tuberculose.

A enfermidade configura como a terceira causa de morte por doenças infecciosas no Brasil e a primeira entre pacientes com Aids.

“As pessoas em vulnerabilidade social, que se alimentam mal e vivem em condições precárias de moradia são mais predispostas, bem como dependentes químicos e soropositivos. Mas, como a transmissão se dá de uma pessoa para outra, qualquer indivíduo com baixa imunidade que tiver contato com um doente pode ser acometida pela doença”, alerta.

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