Articulistas

eDUDAção

Sinuhe Daniel Preto
| Tempo de leitura: 3 min

Estou roendo as unhas, fazendo figas, com meus "santinhos" à mão em um bar em Campinas, o Vô Ângelo, no Taquaral, o árbitro anotou cinco minutos de acréscimos, o Palmeiras sofre para vencer pelo magro placar de um a zero o Libertad do Paraguai pela Taça Libertadores 2013. Meu celular toca, aparece o nome, tem quatro letras e começa com D, não, não é o Pai Celestial, é o "Pai" amigo, a quem se atende mesmo nos acréscimos do jogo do Verdão, é o Duda. Ou é para saber quanto foi o 'Parmeira', como ele dizia, ou para ofertar algo válido em tempos de tantas desigualdades e fatalidades!

Duda me oferece emprego, começa com a frase que pouco ouvi em minha vida: "Filho, onde você está?". Pronto, já me quebrou, como rejeitar uma proposta de um "pai"?

Encontramo-nos novamente em janeiro de 2014, as seis aulas propostas naquele telefonema do jogo viram vinte aulas, prazer imenso para mim e para minha família voltar a trabalhar com a dupla Gérson e Gersinho, não cantam, mas seguem o mesmo tom, são honestos, são de caráter, são amigos. São patrões? Sim, mas têm corações!

A primeira vez em que trabalhei com o Duda e seu quadragenário Preve foi em 1995, fomos Wagnão Gonçalves Teixeira e eu conversarmos com o "homem". Medo, ansiedade e imprevisibilidade marcavam nossa ida à escola da Cussy Jr. Wagnão falou primeiro com ele e passou-me uma dica: "Ele vai falar o número de aulas e valor do salário e vai marcar em um papel, quando você sair, pegue o papel, ok?". Claro, deixa comigo!

Conversamos muito, rimos, elogios, avisos, advertências, suadouros, meus, claro, escreveu no papel, falou para mim: "Você acabou de casar-se, você tem que trabalhar, família é tudo", e mandou-me para Lins, Jaú, encheu-me de aulas! O papel? Peguei errado, levei comigo um nome de um remédio e de um endereço, muito hilário, um dia contei a ele, riu muito! A outra vez em que trabalhei com o Duda do Preve foi em 2000, fizemos um acordo que incluía a realização de um dos meus maiores sonhos: ser narrador de futebol, ele e Samuel Ferro deram-me a oportunidade comentar e narrar na TV Preve. Espetacular, mas um dia desobedeci às regras de exclusividade da carga horária de professor somente do Preve e fui mandado embora. Era o dia do meu aniversário, liguei para o Gérson Duda Trevizani, agradeci-lhe e ele falou: "Para você não ficar sem aulas, você continua em Agudos, pois você tem família!". Chorei mais ainda, é ou não o Malvado Favorito?

Família, a palavra que mais ouvi de Duda. Há dois meses, perguntei-lhe por que não vendia tudo e ia para o Exterior, e ele respondeu: "E as famílias que dependem de mim?". Do meu, do nosso Preve? Domingo, quando soube que Duda foi dirigir uma escola no céu, mandei uma mensagem ao Gersinho e ele me falou uma frase fantástica: "Sinu, o coração dele cresceu tanto que não cabia mais no peito!". Genial! Justamente, na hora em que ia ligar para ele para falarmos do 'Parmeira', foi sua vitória, Duda!

As pessoas podem falar o que quiserem de Gérson Trevizani, mas sua bondade ultrapassava suas broncas, é meio "Dr. House", humilha te amando, é algo que ameaça e faz graça! Duda foi muito cedo, quantos alunos conheceram Duda, quantos trabalhadores, como o "Cucharone" Bombini, irmão da lenda Sílvio Bombini, vô do Super Chico, "Cucharone", pai dos doutores Gustavo e Fernanda Bombini, trabalhou no Preve para pagar os estudos de seus filhos, hoje renomados médicos, orgulho, trabalho, família, bem ao estilo Duda de ser!

A Sem Limites está acéfala, perde um homem múltiplo, amado ou não, respeitado com certeza, temido, talvez, no entanto, um coração valente, pulsante, solidário, um marco na educação, um ícone, eDUDAção! Muito obrigado, Duda! Vá com Deus, olhe por nós. No Dia do Professor, você se foi, porque você foi, é e será O Professor!

O autor se diz, no momento, sem direção...

Comentários

Comentários