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Zé Carlos Coelho, presente sempre!

Antonio Pedroso Junior, o Chinelo
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um final de semana triste em nossa Bauru, com a morte de Zé Carlos Coelho, um dos maiores craques que vestiu a camisa de nosso Norusca. Com certeza, já está uniformizado para fazer sua estreia no Noroeste Celestial, ao lado de tantos outros que marcaram época e já se foram. Vindo da Portuguesa de Desportos para Bauru, em 1960, aqui fincou raízes na Vila Falcão e nunca mais saiu, adotando a nossa Bauru, como sendo sua cidade natal. Cobrei de diversos vereadores ao longo do tempo, a concessão de um título de Cidadão Bauruense ao amigo Zé Carlos e nunca, nenhum deles levou a ideia adiante.

Marcou o primeiro gol do Noroeste quando da inauguração do Estádio, naquela época chamado de Ubaldo de Medeiros, em um amistoso contra o então poderoso Palmeiras. Voltou a repetir a dose, em 1966, quando da inauguração dos refletores, novamente contra a então chamada academia.

Fez parte de formações memoráreis de nosso Noroeste, um dos grandes artilheiros que por aqui passou, mestre na cobrança de faltas, enfim, um verdadeiro craque, aliás, dentro e fora de campo, era um craque. Humilde, até demais, curtia a vida, gostava de samba, leitura e no carnaval transbordava alegria desfilando pela Mocidade de Vila Falcão e no desfile das campeãs do Rio de Janeiro. No período carnavalesco, era o samba em pessoa.

Comemorava aniversário em 9 de janeiro e mesmo sem convidar ninguém sua casa enchia de amigos e parentes, que ali compareciam para curtir um suco de cevada gelado e um bom pagode, sendo seu carisma o grande responsável pelas amizades conquistadas ao longo de sua vida. Lembro de duas passagens com o Zé. Era adolescente, com quinze/dezesseis anos, e o Zé pegava o ônibus para ir treinar no Garça, na rua Campos Salles, quadra 9, bem defronte ao Mercadinho Carcará, de meus pais.

Certo dia, o velho Pedroso atendeu o fone e era um diretor do Garça pedindo para avisar o Zé, para levar sua carteira profissional. Era o ano de 1970 e a profissão de jogador de futebol acabava de sair regulamentada. Moleque, com as pernas boas, saí correndo e encontrei com o Zé, perto de sua casa, para transmitir o recado.

Mais recentemente, batendo um papo descontraído, perguntei como era jogar contra o Pelé, e a resposta veio rápida: - A coisa mais fácil do mundo. Éramos atacantes e nos víamos no início e no intervalo do jogo. Quem se ferrava era a turma da defesa, com o Pelé infernando eles, o tempo todo.

Bom humor, educação e cultura privilegiada. Pouca gente sabe que depois de parar no futebol Zé Carlos foi ser agente penitenciário do IPA, onde igualmente era respeitado por seus colegas de trabalho. Tentou a carreira de técnico, trabalhando no Noroeste, Garça, Presidente Prudente e, posteriormente, no início dos anos 90, foi contratado pela Semel na gestão de Tidei de Lima para trabalhar nas escolinhas da Prefeitura, onde desenvolveu um bom trabalho na Vila Giunta, Vila Santista, até ser exonerado, sem maiores explicações, no início deste ano. Entretanto, isto é assunto, para outra hora.

Infelizmente, não pude ir até Bauru, dar o último Adeus ao mano mais velho e um abraço em seus familiares. Somente desejo paz aos familiares e boas e merecidas férias ao Zé Carlos Coelho, que com certeza estará sempre vivo na memória popular.

O autor é colaborador de Opinião.

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