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Comuns na maioria das casas, erros provocam a proliferação de bactérias

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis 
Ana Paula sempre teve cuidados básicos no preparo da comida, como lavar o arroz; porém, água corrente tira grande parte nutricional do alimento 

Ana Paula da Silva Paiva, 35 anos, trabalha como operadora de caixa no período da tarde. Pela manhã, cuida da casa onde vive com o marido Alexandre e a filha Giovana, de 10 anos, no bairro Bauru 16. Organizada com as tarefas da cozinha, sempre deixa o pano de prato secando em cima do fogão, o frasco de vinagre sobre o balcão do armário e mantém cuidados básicos no preparo das refeições, como lavar o arroz antes de cozinhá-lo. O que ela, assim como muita gente, não sabe é que este cenário tão corriqueiro contém vários problemas decorrentes de hábitos antigos capazes de afetar a saúde.

A prática com o pano de secar louças, o local onde o tempero é disposto e a preocupação com o arroz, embora muito comuns nas residências, não são recomendados pelo biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria. Por mais inofensivos que pareçam, alguns atos na rotina de quem lida com limpeza ou comida (veja mais no quadro) podem provocar infecções e intoxicações alimentares, aponta o especialista, que completa 40 anos de atuação no Brasil.

"Cometendo esses erros, as pessoas estão vivendo no risco de contrair doenças transmitidas por alimentos, as populares diarreias ou vômitos, que muitas vezes podem chegar à morte. O perigo existe e, se estou sendo imprudente, uma hora pode acontecer o pior", destaca, discriminando vários exemplos. Um deles alerta: nada de esponja de louça velha.

Usar o material por mais de uma semana eleva os riscos de contaminação cruzada - que resulta do transporte de microrganismos de um alimento para outro, não contaminado. Este, aliás, é mais um dos erros cometidos por Ana Paula, também frequente em inúmeras casas. "Costumo utilizá-las até no limite, pois dá a impressão de desperdício jogá-las fora após poucos dias de uso", justifica.

Reprodução 
O biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido como 

Dr. Bactéria, completa 40 anos de atuação Brasil afora

Para a operadora de caixa, os costumes na cozinha passam de geração para geração. "Faço o que a minha mãe fazia e ela, provavelmente, o que a minha avó ensinou. Eu jamais imaginei que alguns costumes poderiam fazer mal para a saúde. Se eu falasse para a minha mãe que não lavaria o arroz, por exemplo, ela diria: 'Isso é falta de higiene'", afirma.

Segundo o biomédico, a água corrente tira 75% da parte nutricional do alimento. O correto, então, seria despejá-lo diretamente na panela. "As pessoas lavam o arroz até sair aquele líquido branquinho. Aquilo é o amido, principal componente do cereal. O certo é colocar direto pra cozinhar. Não haverá problema algum nisso", frisa.

VINAGRE REFRIGERADO

Manter o vinagre aberto e fora da refrigeração é outro erro comum cometido por grande parte das pessoas. Usado para temperar alimentos, o produto, assim como a maionese, por exemplo, deve ser guardado na geladeira depois de aberto. Caso contrário, as bactérias podem se multiplicar. Neste caso, ficam depositadas no fundo do frasco, com risco de estragar o tempero.

"Não sabia disso", revela Ana Paula, projetando mudar seus hábitos diante das orientações do Dr. Bactéria. Durante a entrevista ao JC, contudo, ela tratou de guardar o vinagre na geladeira e substituir o pano de prato molhado, que estava em cima do fogão.

De acordo com o biomédico, o pano de louça úmido possui 1 milhão de bactérias a mais do que o tampo de um vaso sanitário de um banheiro público. Por isso, o ideal é pagar um pano limpo quando o que estiver sendo usado ficar úmido - este deve ser lavado com desinfetante.

"Os panos devem ser higienizados logo após estarem molhados. Não pode, entretanto, colocá-los direto na máquina porque vai infectar as roupas. Indica-se usar desinfetante doméstico sem odor, deixando o pano imerso por 15 minutos, depois enxaguá-lo e, aí sim, colocá-lo pra lavar", orienta.

 

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