Com todo o respeito ao amor que a senhora diz ter pelos animais, Dona Josimara Santos, creio que seu pensamento está equivocado. Não quanto a gostar de animais, mas, quanto a dizer "os incomodados que se mudem".
Nesse raciocínio, se eu pago pela minha calçada, eu posso estacionar o carro em cima dela... se eu gosto de som, então posso andar com o carro com um volume insuportável desfilando pelas ruas... se eu gosto de tomar refrigerante e tem gente vivendo de coletar reciclável, qual o problema em jogar minha lata na rua? Se estou com vontade fazer xixi e a rua é pública, qual o problema em fazer isso na via pública? Gosta de comer carne de porco e acha que o preço está caro? Constrói um chiqueiro no quintal, afinal o quintal é seu. Está com mato no quintal? Põe fogo. Não importa se vai por em risco as casas vizinhas ou a fumaça vai incomodar, afinal você não tem controle sobre o lado para o qual a fumaça vai, não é mesmo? Lixo? Joga no terreno baldio, ninguém está vendo mesmo. Ah, e não se esqueçam de sair passear com seus queridos animais de estimação à noite para que eles defequem na frente da casa dos outros... E assim, por diante, vamos, cada um, fazer o que nos dá na cabeça... E os incomodados que se mudem.
É assim que falimos a cada dia, a cada ato e omissão, na missão de construímos uma sociedade. Afinal, "sociedade" não combina com valores mesquinhos e egoístas e de total desrespeito aos demais... Por fim, quero fazer uma sugestão à senhora Josimara e a todos que estejam lendo esta coluna: que tal trocarmos "os incomodados que se mudem" por "meu direito acaba onde começa o direito do outro"?
Se cada um fizer sua parte, certamente encontraremos o caminho para uma sociedade de fato.