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Mais um atentado terrorista: até quando?

Sérgio Mauro
| Tempo de leitura: 3 min

A modalidade de ataque que atingiu a região do memorial do World Trade Center, em Nova York, não mais representa novidade: um motorista desvairado atira-se contra a multidão e deixa invariavelmente um saldo nada desprezível de mortos e de feridos. Até quando assistiremos a este filme? As reações dos governos dos países atingidos variam, mas as promessas estão sempre centralizadas no reforço policial ou no controle da imigração, chegando até, no atual caso americano, a tentar proibir (ilegalmente) a entrada de cidadãos de determinados países. O tempo está demonstrando claramente que nem as medidas tomadas pelos países europeus, nem o rígido controle americano dão resultados concretos. Por quê?

A resposta deve ser buscada na falta de diálogo. Como dialogar, porém, com quem não está disposto ao diálogo? O problema está no fato de que, em ambos os lados, no das vítimas e no dos terroristas, propor o diálogo representa um sinal de fraqueza que pode levar à perda de autoridade e de liderança, quer se manifeste na deposição ou eliminação do líder do grupo de militantes armados, quer se manifeste em derrota nas próximas eleições.

A linguagem da violência, portanto, não está apenas no lado dos que cometem os atentados, mas em ambos. O recurso às armas e a atitudes guerreiras constitui ainda a tônica dos discursos das lideranças, mesmo quando não há uma guerra declarada em curso. O diálogo que é preciso propor, porém, deve ter consistência e não pode se esgotar em retórica inútil e populista. Das palavras deve-se passar aos fatos, uma vez cessadas as negociações. No caso do terrorismo de matriz fundamentalista islâmica, à mesa deveriam sentar-se lideranças de todos os países árabes, dos principais países europeus e, sobretudo, dos Estados Unidos e de Israel.

A mobilização de lideranças pode, contudo, resultar em grande fiasco se não houver contato (pacífico) com grupos terroristas. A ação violenta tende a esvair-se quando enfrentada com serenidade e com abertura ao diálogo. Para desmobilizar e enfraquecer um grupo violento seria preciso enfrentá-lo não com as mesmas armas, mas com sinalização concreta de mudanças, que não devem necessariamente parecer fraqueza ou rendição.

Tudo que se tentou até agora foi baseado em respostas duras e em medidas de exceção que se revelaram inúteis. Mesmo que fosse possível prender ou eliminar todos os elementos mais radicais e violentos, não estaríamos eliminando os fatores que os levam à violência: radicalismo, maniqueísmo, militarização da sociedade, ignorância, facilidade de acesso às armas, desinformação e, last but not least, prepotência dos países ocidentais ricos.

Ao longo dos séculos, todos os conflitos que cessaram pura e simplesmente com a rendição do mais fraco tiveram como consequência a geração de fatores que, mais tarde, levaram a novos conflitos ou a situações de tensão permanente. Os exemplos são muitos, no Ocidente e no Oriente. O melhor modo de solucionar problemas, entre os cidadãos e entre as nações, sempre foi e sempre será o que se desenrola em volta de uma mesa de negociações, desde que os acordos estabelecidos a duras penas não sejam traídos posteriormente e, sobretudo, desde que se passe imediatamente às atitudes concretas, isto é, aos fatos.

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