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| Maria Lúcia coloca água em copos, em homenagem àqueles que morreram queimados ou com sede |
Hoje é a tradicional data de reverenciar aqueles que já partiram e, com isso, cemitérios certamente ficarão lotados por todo o dia. A forma de prestar tal homenagem, contudo, tem se tornado cada vez mais própria e particular, justamente pelo sentido que o Finados tem assumido para cada um.
A psicóloga e professora Marília Aparecida Muylaert, que atua no Departamento de Psicologia Clínica da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), vinculada à Unesp, em Assis, estuda o luto e a maneira pela qual a sociedade lida com tal sentimento. "Todas as culturas prestam homenagens aos ancestrais, que carregam a história dos povos", acrescenta.
Além do traço cultural que define o rito, a pesquisadora reitera que, atualmente, cada um dá o seu próprio sentido ao Finados.
Assim, na data, mesmo que muitos ainda vão aos cemitérios para prestar sua homenagem, alguns fazem sua celebração de forma extremamente individual. Outros podem até mesmo limitar a datta a uma lembrança especial. "Alguns até podem se lembrar de alguém que perderam e optar por deixarem a homenagem de lado", complementa.
TRADIÇÃO
| Reprodução/Facebook |
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| A psicóloga e pesquisadora Marília Ap. Muylaert estuda o luto |
Mesmo com tais particularidades, muitos ainda mantêm a tradição. É o caso das irmãs Sônia Maria Rodrigues dos Santos, de 70 anos, e Neli Marlene Rodrigues Kauffmann, de 68. Elas visitam todos os entes queridos, que estão sepultados no Cemitério da Saudade, em Bauru, sempre no Dia de Todos os Santos, celebrado ontem, ou no Dia de Finados.
Tanto Sônia quanto Neli costumam acender velas e levar flores aos túmulos. Em casa, restam as orações quase que diárias aos que já se foram.
Já a servente de escola Maria Lúcia dos Santos Luiz, de 56 anos, visita o túmulo da mãe, que também está enterrada no Cemitério da Saudade. "Eu acendo velas, compro flores e coloco água em vários copos de plástico, em homenagem àqueles que morreram queimados ou com sede", revela.
HISTÓRIA
| Malavolta Jr. |
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| Movimentos no Cemitério da Saudades, vespera de Finados |
Mas não é de hoje que as pessoas prestam esse tipo de homenagem aos mortos nesta data. Segundo estudiosos da área, a origem da associação do 2 de novembro com aqueles que já se foram vem do século I.
Já nesta época, os cristãos começavam a rezar para os que morriam, porém, somente para os mártires. No século IV, rezar e criar a memória de quem morria foi se popularizando, tanto que, no século seguinte, a Igreja Católica aconselhava a se pensar em um dia para se rezar por todos os mortos.
No Ocidente, o costume foi oficializado no século XI, quando a Igreja Católica impôs que toda a comunidade estabelecesse um dia a ser dedicado a homenagear aos mortos, sendo que, no século XIII, a data definida foi o 2 de novembro.
O dia 1 é o Dia de Todos os Santos, ou seja, daqueles que morreram puros, mas não foram canonizados. Então, o dia seguinte é para rezar pelos mortos em geral, aqueles que já entraram em estado de graça, porém, muitas vezes, não são incluídos nas orações.
MUDANÇAS
O antropólogo Cláudio Bertolli Filho também comenta as ressignificações do Dia de Finados. Ele acredita que, atualmente, se fala muito pouco sobre a morte, porque parece algo assustador. "Há 50 anos, por exemplo, nenhuma rádio da Capital Paulista funcionava em Dia de Finados, exceto a Eldorado, que tocava música clássica o dia inteiro", acrescenta.
Para ele, este feriado tem perdido o simbolismo e, geralmente, apenas as pessoas mais velhas vão aos cemitérios para homenagear os mortos.
ATÉ MESMO FESTA DE CELEBRAÇÃO
| Reprodução/Internet |
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| La Catrina é a representação do esqueleto de uma dama da alta sociedade, uma das figuras mais populares do "Día de Los Muertos" |
2 de novembro, data que, no Brasil, remete a orações silenciosas e certa tristeza, o Dia de Finados é, também, motivo de festa e comemoração em outras partes do mundo. Inúmeros países celebram o Dia de Finados e cada cultura tem o seu jeito próprio de fazê-lo.
A data é bastante valorizada nos países latino-americanos e nos Estados Unidos, mas é o México que apresenta uma das principais celebrações aos mortos.
Segundo a Britannica Digital Learning, o "Dia de Los Muertos", como é conhecido por lá, é derivado dos rituais de antepassados, que viveram no México há milhares de anos. Sua celebração, que durava um mês, era liderada pela deusa Mictecacihuatl, conhecida como "Senhora dos Mortos".
Com a chegada dos espanhóis ao México e a conversão dos povos nativos para o catolicismo romano, a comemoração mudou de data para coincidir com a celebração do Dia de Todos os Santos (1 de novembro) e Dia de Todas as Almas (2 de novembro).
Atualmente, as formas de se festejar o feriado variam de região para região. Em algumas áreas rurais, as famílias adornam locais de sepultura com velas e os alimentos favoritos dos parentes falecidos, na tentativa de persuadir os entes queridos a retornar para uma reunião familiar.
Nas áreas urbanas, as pessoas saem às ruas para celebrações festivas e se dedicam ao consumo de alimentos e álcool. Alguns usam máscaras de crânio de madeira, conhecidas como calacas.
Muitas famílias criam altares em suas casas, como se fossem oferendas, decorando-os com fotos, velas, flores e alimentos. Brinquedos e itens alimentares, incluindo pães e doces, são criados sob a forma de símbolos da morte, como crânios e esqueletos.
SERVIÇO
Conforme o JC já noticiou, todos os cemitérios municipais - Saudade, Jardim Redentor, Cristo Rei, São Benedito e São Pedro (no Distrito de Tibiriçá) - abrirão meia hora mais cedo e fecharão uma hora mais tarde hoje, atendendo o público das 6h30 às 18h.
Neste feriado, missas também serão realizadas no Cemitério da Saudade, às 8h, e no Cristo Rei, às 9h.
Entre os particulares, o Cemitério Parque e Crematório Jardim dos Lírios funcionará em horário normal, das 8h às 18h, com realização de missa na capela, às 10h30, que será celebrada pelo padre Gustavo Natividade.
Já o Cemitério Parque Jardim do Ypê terá missa campal, celebrada pelo bispo dom Luiz Ricci, às 8h30, e funcionará amanhã, das 8h às 18h, uma hora a mais em relação ao expediente normal.
O Memorial Bauru, único cemitério vertical da cidade, manterá as suas portas abertas nas 24 horas do dia, como de hábito.



