| Renan Casal |
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| Fabio visita acácia no Jardim dos Lírios, onde está parte das cinzas do pai Mário Ferreira Junior |
Sob sol forte, familiares e amigos homenagearam os entes queridos que já se foram, em meio à movimentação intensa durante o dia todo nos cemitérios de Bauru. Saudade, "reencontro", gratidão por graças alcançadas e momentos de oração marcaram o feriado de Finados na cidade, ontem.
A poucos metros da capela onde o padre Gustavo Natividade rezava uma missa no Parque e Crematório Jardim dos Lírios, o cuidador social Fabio Parada, 40 anos, saudava uma acácia fixada em um dos jardins da necrópole. Sob a árvore, foi depositada parte das cinzas do pai Mario Pinto Ferreira Junior, que foi cremado quando morreu, em 2015, aos 69 anos.
"A outra parte das cinzas jogamos no mar, em Angra dos Reis (RJ), onde ele sempre passava as férias". Fábio faz visitas mensais ao local onde está plantada a acácia, espécie símbolo da Maçonaria. "Meu pai era maçom", justifica ele, exibindo um ramo da planta fixada em seu celular. "Ele era o meu conselheiro. Quando bate a angústia, venho pra cá bater um papo".
Após a cremação, a família pode escolher como será a destinação das cinzas. O Jardim dos Lírios oferece a opção de "plantar" as cinzas junto a árvores, conforme explica o gerente do cemitério, Danilo Moura.
"Ou a família escolhe uma espécie que já existe aqui ou pode fazer uso da urna hidrossolúvel, que já vem com a semente, a qual se incorpora ao solo. Ou, por fim, o cliente pode comprar a muda que ele ache melhor para abrigar as cinzas".
Hoje, são cerca de 30 árvores para esta finalidade. Somente um ipê rosa abriga as cinzas de 11 membros da mesma família. "Um casal de idosos foi cremado e as cinzas depositadas nesta árvore. Então, a família cremou os restos mortais de mais oito parentes que estavam em um cemitério municipal. Tempos depois, mais uma pessoa faleceu e todos estão neste ipê".
| Renan Casal |
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| Rafaela, Miguel e Ana Júlia com a avó Ana Lúcia Ramos: flores e orações para a tia Ana Carolina, que morreu vítima de acidente |
Cerca de 12 mil pessoas passaram pelo Cemitério Parque Jardim do Ypê. Muitos se emocionaram com a missa campal rezada pelo bispo Luiz Ricci e pediram a benção do religioso ao final da celebração. A emoção também tomou conta da professora de educação especial Ana Lúcia Ramos, 51 anos. No caso dela, o motivo foi outro.
Acometida por uma forte depressão e sob rigoroso tratamento psicológico, Ana ficou quatro anos sem visitar o túmulo da filha. Ontem, houve o "reencontro", emocionado. "Agradeci por ela ter me escolhido para ser a mãe dela", declarou, contendo as lágrimas.
A filha dela, Ana Carolina Ramos, teve a vida interrompida precocemente por um acidente de moto, em 2012, ao 27 anos. O Finados deste ano marcou também a primeira visita dos netos de Ana Lúcia ao túmulo da tia. Hoje com 4 anos, Miguel Papi Alves nem tinha nascido quando a jovem morreu. "Fiz uma oração", disse o garoto, acompanhado das primas Ana Júlia Ramos, 6, e Rafaela Avila Ramos, que estava bastante emocionada.
Outro que esteve pela primeira vez no cemitério ontem foi o pequeno Guilherme Rodrigues Martins, 6 anos. Junto com a bisavó Neusa Maria dos Santos, 74, ele acendia uma vela no cruzeiro da necrópole para render homenagens à tataravó Maria de Campos.
GRAÇA ALCANÇADA
Com a cabeça baixa, a agente social Aparecida Sueli de Souza orava em frente ao túmulo de Maria Nunes, no Cemitério da Saudade. Morta em 1917, a parteira e benzedeira era conhecida por ajudar as pessoas mais pobres e, atualmente, é bastante procurada para auxiliar mulheres grávidas em gestações difíceis.
Porém, Aparecida a procurou, em 2012, com outro propósito. "Eu tinha um câncer na tireoide e estava prestes a fazer uma cirurgia. Pedi para que ela me acompanhasse na operação e também para abençoar as mãos dos médicos. Correu tudo bem e a doença não evoluiu", conta ela, que, desde então, em todo Finados, se debruça ao túmulo de "Mãe Nunes" para agradecer.
FLORES
O Dia de Finados também aquece o mercado das flores. Há quase três décadas, a feirante Andreia Menegueti monta sua barraquinha na frente dos cemitérios. Neste ano, entretanto, vendeu metade do que foi comercializado em 2016, afirma. “Vendi uns 300 vasos. No ano passado, foram cerca de 600. A chuva veio mais tarde este ano e não floriu o esperado para o Finados”, justifica a comerciante.

