Política

Em reunião com sindicato, coletores da Emdurb rejeitam adequações

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo/JC Imagens
Prefeitura quer fazer várias adequações na coleta de lixo, porém, categoria não ficou satisfeita

Cerca de 80 coletores de lixo da Emdurb se reuniram, anteontem à tarde, com representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm). Eles mostraram preocupação com a possibilidade de terceirização do serviço e também se posicionaram de forma contrária aos ajustes de jornada propostos pela empresa municipal.

Em outubro, a Emdurb distribuiu um panfleto aos trabalhadores da coleta, na qual era informado que, para manter preço competitivo no mercado, seria necessário a redução do pagamento de horas extras, a redução de quatro para três coletores por caminhão, o aumento de seis para oito horas de jornada por dia, entre outros.

Jairo Alves da Silva, do Sinserm, diz que é preocupante a forma como o assunto foi tratado pela direção da empresa municipal. "São conquistas que os servidores tiveram ao longo dos anos. Todos estão com medo, apreensivos, a gente entende como um 'pacote de maldades' da prefeitura e da Emdurb, sob a justificativa de que são medidas necessárias para a renovação do contrato", pontua.

CONTRATO

A Prefeitura de Bauru paga pouco mais de R$ 154,00 por tonelada de lixo coletado, enquanto a Emdurb afirma que gasta R$ 185,00 por tonelada, gerando um déficit, portanto. Anualmente, são mais de R$ 14 milhões pagos pelo município à empresa. A prefeitura pode contratar a Emdurb sem licitação, desde que a empresa municipal apresente valor compatível ao de mercado, após cotações realizadas pela Secretaria do Meio Ambiente (Semma), responsável pelo contrato.

Em outubro, a Emdurb colocou para os servidores a necessidade de readequação para que os preços sejam reduzidos e, com isso, fiquem no patamar pago pelo mercado, para garantir a renovação do contrato, que vence em 2 de janeiro de 2018. O Sinserm, contudo, diz que a conta não pode recair sobre os funcionários e que, nesta segunda-feira, os coletores vão para a Câmara Municipal, para buscar um diálogo junto aos vereadores, na tentativa de negociar com o Poder Executivo.

SEM TERCEIRIZAR

A categoria teme também uma eventual terceirização. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) nega que tenha essa pretensão. "Não vamos terceirizar ou privatizar a coleta de lixo. Está no nosso plano de governo valorizar esse setor, portanto não tem lógica querer terceirizar. A Semma está fazendo as cotações de preço, e nós queremos renovar o contrato com a Emdurb, mantendo a coleta de lixo do jeito que é hoje, com a Emdurb", afirmou ao JC.

Outra demanda que começa a ser discutida é a transformação da Emdurb em autarquia, a exemplo do que já acontece com o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Isso possibilitaria, por exemplo, uma redução da carga tributária sobre a empresa municipal, que, há três anos, vem fechando no vermelho e pode chegar a R$ 3 milhões de déficit neste ano. "Sobre a possibilidade de autarquização da Emdurb, isso vamos discutir com calma. Vamos fazer se for algo viável, para daqui a dois ou três anos não entender que foi um erro o processo. É algo em discussão ainda", menciona o prefeito.

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