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Casal americano que sumiu na floresta diz que deixou balsa após ameaças

FolhaPress
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JOÃO PEDRO PITOMBO

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Em depoimento prestado à Polícia Civil do Pará nesta sexta-feira (3), o casal de americanos que ficou dois dias desaparecido nas matas na zona rural do município paraense de Breves afirmou que deixou a balsa em que estavam após terem sido ameaçados.

A balsa Andorinha e o empurrador Taigó I foram abordados por assaltantes por volta das 19h de domingo (29) no rio Furo Grande em meio uma viagem entre Belém e Macapá que teria duração de dois dias. Passageiros e tripulação tiveram seus objetos pessoais roubados.

O casal Adam Harris Heart, 39, Emily Faith Heart, 37, deixou a balsa por volta de 1h de segunda-feira (28) com as duas filhas de 3 e 7 anos. Eles aproveitaram uma das paradas da balsa e deixaram a embarcação em cima de uma prancha de stand-up paddle em direção às margens do rio.

No depoimento, o casal afirmou que decidiu deixar a embarcação porque foi alvo de ameaças dos bandidos. "Eles ficaram com receio de serem mortos. A todo momento foram feitas ameaças, a ação [dos bandidos] é agressiva", afirmou a delegada Vanessa Souza, responsável pelas investigações.

A família não chegou a ser agredida fisicamente, mas foi alvo de "violência psicológica". Durante a ação dos bandidos, que os abordaram com armas de cano longo e revólveres, a família foi colocada dentro de um dos camarotes da embarcação, onde ficou até decidirem abandonar o barco.

O assalto durou cerca de cinco horas, nas quais os bandidos entravam e saíram da embarcação levando objetos e cargas que foram roubadas. Segundo a delegada, o casal afirmou no depoimento que ficou com receio de que os bandidos retornassem ao barco e "num momento de desespero", decidiu fugir.

"Eles não tinham certeza se os bandidos voltariam e decidam sair, usando a prancha e se embrenhando na mata", explica a delegada.

INSETOS E ÁGUA

O casal afirmou que ficou dois dias comendo insetos e bebendo água e buscaram socorro apenas quando tinham certeza da presença da polícia no local. Eles carregavam um kit de sobrevivência, o que permitiu que eles ficassem na mata.

Durante este período, a família chegou a trocar de margem do rio, numa travessia que durou cerca de três horas. Adam, Emily e as duas filhas foram encontrados nas margens de um rio da região e resgatados por um ribeirinho que passava de lancha pelo local. Helicópteros do grupamento aéreo e barcos das polícias Militar e Civil atuaram nas buscas pela família na região.

Três assaltantes que participaram da ação já foram reconhecidos. Segundo a polícia, são criminosos da própria região, parte deles já alvo de investigações sobre assaltos a barcos na região. A delegada classificou a investigação como "complexa" e "com muitos detalhes" que ainda precisam ser esclarecidos. Estão previstas perícias e novos depoimentos.

A investigação corre em segredo de Justiça e foram revelados apenas trechos dos depoimentos em que há consenso sobre o que aconteceu. O casal foi ouvido separadamente.

Depois do depoimento, família seguirá para Brasília, de onde pegará o voo de volta para os Estados Unidos.

A volta para casa acontecerá após cinco anos viajando por países das Américas do Norte, Central e do Sul a bordo de uma van. Eles saíram em 2020 da Califórnia e seguiram até a Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. Seguiram viagem e passaram por 14 países -a filha mais nova do casal nasceu no Brasil, em Florianópolis, no meio da viagem.

A van, que também estava no barco que foi assaltado, seguiu até Macapá, onde está sob guarda da Polícia Federal. Uma mochila e um notebook da família foram recuperados.

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