| Malavolta Jr. |
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| Luiz Carlos da Silva usa sempre o orelhão da Pça. Rui Barbosa |
"Eu não abro mão de usar o orelhão, mas sei que sou raridade", dispara Luiz Carlos da Silva, um bauruense de 59 anos assumidamente não adepto ao celular. Em meio ao agito da tarde na praça Rui Barbosa, nesta semana, ele era a única pessoa a utilizar um dos quatro orelhões existentes no local.
Tão singular quanto à atitude de Luiz Carlos tornou-se o uso do aparelho público no cenário urbano de Bauru. Dos 1.563 orelhões existentes na cidade, 30%, ou seja, 469 equipamentos, não registraram uma única chamada sequer de janeiro a agosto deste ano.
E mais: 55% do total, 859 deles, tiveram utilização menor que um crédito por dia, o equivalente a uma chamada de dois minutos. Os dados são da empresa Vivo, atual responsável pelo serviço.
SEM EXTINÇÃO
Apesar do pouco uso, já que apenas 15% dos aparelhos costumam registrar ligações com mais de um crédito por dia, a Vivo descarta a possibilidade de que o serviço seja extinto. E diz que mantém a densidade de telefones públicos conforme a determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A legislação em vigor prevê a existência de quatro equipamentos para cada mil habitantes. Seguindo esta conta, Bauru possui 77 telefones públicos a mais do que o número previsto pela lei - a contabilidade considera os dados populacionais mais recentes do IBGE: 371.690 moradores em Bauru.
Contudo, mesmo acima do previsto e com a garantia da empresa de que não irão desaparecer, há uma queda dos aparelhos no município. Em agosto de 2015, a cidade possuía 1.724 orelhões, conforme informou a empresa em reportagem do JC na época. Eram 161 a mais do que hoje em dia.
VANDALISMO
Atualmente, ainda segundo a Vivo, os orelhões do Terminal Rodoviário são os mais utilizados na cidade. A empresa, contudo, não informa os endereços dos orelhões sem uso ou pouco utilizados em Bauru. Assim como também não diz se o pouco ou não uso estariam relacionados ao vandalismo destes equipamentos.
A Vivo ressalta, entretanto, que realiza manutenção periódica nos telefones e contabiliza que 25% do total de dispositivos, ou seja, 390, sofreram algum tipo de vandalismo entre janeiro e agosto de 2017. "Em muitos casos, embora a ação não seja visível, o aparelho pode apresentar defeito devido ato criminoso", diz, em nota.
TÁ DIFÍCIL
Inutilizável por estar com os fones quebrados, um dos quatro orelhões da praça Rui Barbosa é um exemplo claro desta realidade.
"A cada dez, um funciona, geralmente", esbraveja Luiz Carlos. Motorista de circulares, ele diz que usa diariamente o telefone público para acionar colegas de trabalho e a esposa.
"Uso mais a cobrar mesmo, porque hoje em dia está difícil até de encontrar cartão de crédito telefônico para vender", acrescenta. "Quando acho os cartões em alguma banca, compro logo os de 60 unidades, que é para ligar para meus parentes de São Paulo e da Bahia. Ligar de fixo e de celular ainda é muito caro. Compensa o orelhão", finaliza.
SERVIÇO
A empresa Vivo informa que, para solicitar reparos dos telefones públicos, o usuário pode entrar em contato com a Central de Atendimento pelo número 103 15 (ligação gratuita) que funciona 24 horas nos sete dias da semana.
