Tribuna do Leitor

O respeito relativizado

Luis Antonio Galbiatti
| Tempo de leitura: 2 min

Por que será que não fico mais surpreso com as pessoas que criticam o barulho dos vizinhos que fazem um churrasco de fim de semana (quando fazem), que criticam os templos religiosos (não importa a religião) por fazerem seus cultos que sempre terminam lá pelas 22h ou até um poucos mais, e isso umas duas ou três vezes por semana, que se irritam com barulho de motos, caminhões, sorveteiros e outros, mas, no entanto, fecham seus ouvidos para o barulho irritante de cães que latem 24 horas por dia ou de gatos que miam a noite toda?

Por que será que nada mais me surpreende nesse país onde um tipo de barulho acontece de vez em quando e outros todos os dias, 24 horas sem cessar, e ninguém pode falar nada porque cães e gatos adquiriram o "status" de seres humanos também? Eu tenho cães em casa, como meus vizinhos também os possuem, mas nós fazemos de tudo para que não incomodem ninguém. Isso se chama educar um animal, e é mais simples do que parece.

Não tem nada a ver com "Deus o fez assim" e outras bobagens, mas de como os criamos e os tratamos. Certa ocasião, vi na televisão (infelizmente, não me lembro mais em que canal, porque já faz tempo), um veterinário e adestrador de cães dizer em alto e bom som e com conhecimento de causa que não devemos tratar os animais de estimação como gente, e sim apenas como animais de estimação.

E aí vem uma senhora e critica o barulho dos outros, mas fecha os ouvidos para o barulho que seus queridos animais de estimação (acha que são gente!) fazem? E ainda diz aquela velha sentença lá dos tempos das cavernas: "Os incomodados que se mudem!".

Não fico mais surpreso, e sabem por quê? Porque esse é o tipo de educação que a maioria dos brasileiros tem, oras bolas! E depois, esses mesmos querem ser tratados com educação pelos outros. Mas respeitar o próximo? Nada feito. Só eu tenho que ser respeitado! Isso é Brasil! Fazer o quê? 

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