Tribuna do Leitor

Não no meu quintal!

Andreia Almeida Ortolani, arquiteta e urbanista - especialista em Geoprocessamento UFSCar
| Tempo de leitura: 2 min

O mistério, que é o tal "geoprocessamento" para nossa cidade e o milagre, que alguns "falam que ele faz"... Um efeito perverso da utilização do Geoprocessamento são as tentativas de sua definição. Criar dados não significa diretamente gerar informação. Qualquer ação repousa, axiomaticamente, em um referencial. Segue-se que o ganho de conhecimento (informação), originado a partir dos registros de ocorrência (dados), somente se concretiza os dados são integrados ao referencial adequado.

No Geoprocessamento, o referencial é, obviamente, é contexto da cidade real ambiental é o referencial do Geoprocessamento e a geração da informação pela integração racional dos dados da cidade real ambiental podendo ser denominada geoinclusão. Geoprocessamento centra-se na geração da informação da cidade real ambiental, potencializada através da geoinclusão. As dependências são óbvias. Como fazer estudos cidade real ambiental sem dados? Qualquer que seja sua origem profissional ou não, um usuário estará fazendo Geoprocessamento, ao operar sobre bases Google maps/Earth. O Google maps/Earth é um SIG (Geoprocessamento) sim, porém limitado.

O uso da tecnologia do Geoprocessamento facilita a percepção da cidade nos seus mais variados ângulos. No entanto, não garante a aplicação de políticas públicas adequadas. Porém, é essencial o envolvimento dos gestores públicos no uso e na disseminação da tecnologia na busca de uma forma democrática e transparente de governar. Apesar de existirem diversas razões para explicar a importância Geoprocessamento na nossa cidade.

O que me chamou muito atenção é discurso adotado pela nossa Câmara com relação ao nosso aumento de IPTU, ou talvez a nossa imprensa estivesse noticiando uma coisa interessante, que vocês, nobres vereadores, iriam fazer vistoria "in-loco" para chegar se as informações da planta genérica estavam corretas?

A dúvida é: esse papel é desempenhado "in-loco" não seria pelo Executivo? A nossa Câmara irá usar ferramentas simples como trenas, fita métrica ou réguas para analisar trabalho mais complexo considerando a longitude de certos lugares, casas e etc. No período de quase um ano de Legislatura somente agora os senhores nobres vereadores descobriram que nossa cidade não sabe quanto é adensamento construtivo horizontal ou verticalizado, e onde estão esses dados de aumentos, e quem teve o seu imóvel valorizado ou desvalorizado?

Se essa confirmação "in-loco" for papel do Legislativo, quem irá fiscalizar? Senhores vereadores, sinto muito em informar, mas NIMBY - not in my backyard (nao no meu quintal) com suas trenas!

Comentários

Comentários