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| Novo reitor da USP, Vahan Agopyan visitou o câmpus de Bauru antes da eleição e conversou com o JC |
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) escolheu, nessa segunda-feira (13), o professor da Escola Politécnica Vahan Agopyan como o novo reitor da Universidade de São Paulo (USP) para o mandato de 2018 a 2022. Atual vice-reitor, ele foi o mais votado em eleição interna na instituição feita em outubro. A gestão cessante, com o médico Marco Antonio Zago à frente, foi marcada por medidas de austeridade, como cortes de gastos e mudanças no processo seletivo, como as cotas.
Às vésperas do pleito, Vahan esteve no câmpus de Bauru para apresentar as propostas de sua chapa "USP, Excelência para a Sociedade". Na ocasião, ele falou com a reportagem do JC e destacou que a principal meta, ao lado vice Antonio Carlos Hernandes - do Instituto de Física de São Carlos -, é levar a excelência da universidade para a sociedade. Confira trechos da entrevista:
Jornal da Cidade - Qual a sua principal meta?
Vahan Agopyan - O próprio nome da nossa chapa já deixa bem claro a nossa proposta: 'Excelência Para a Sociedade'. Nós entendemos como obrigação da universidade em ajudar o contribuinte do Estado, oferecendo a ele uma universidade de excelência similar ou equivalente às melhores do mundo. Inserida na sociedade porque essa excelência, se for somente usufruída por nossos alunos de graduação e pós-graduação, não será suficiente. A sociedade deve se sentir como parte receptora dessa excelência. Lógico que, quando você procura excelência e inserção da sociedade, é preciso ter os recursos humanos valorizados. Essa valorização é outra frente que de nossas metas.
JC: A USP passa por uma crise, com planos de demissão voluntária, a exemplo de outras universidades. Como reverter essa situação?
Vahan - Nós fizemos a lição e colocamos a casa em ordem. A USP não corre hoje os riscos que corria há quatro anos. A nova gestão encontrará uma nova perspectiva de resolver os problemas financeiros. Com restrições financeiras, porque essas continuam, já que o País todo está em crise. Teremos como conseguir o nosso objetivo, que é o aspecto de excelência, de inserção social e de motivação aos funcionários.
JC - Os gastos com salários e benefícios cresceram mais do que a arrecadação da USP, conforme divulgado. O senhor pretende atuar de que forma nessa questão?
Vahan - Os gastos com salários e benefícios apresentaram boa redução com o nosso trabalho [da última gestão]. Hoje, estamos em condições de pensar em novas ações, em novas atividades, pois a média dos últimos 12 meses melhorou bastante. Pontualmente, nos últimos meses, tivemos condições bastante favoráveis.
JC - Em maio, a USP caiu no ranking das universidades emergentes. Com essa crise, existe uma preocupação de novas quedas?
Vahan - Cada ranking tem um viés, uma perspectiva. Alguns desses rankings querem que o número de alunos estrangeiros seja elevado, por exemplo. Se for analisar ranking por ranking, tenho certeza de que o contribuinte paulista não ficará contente se nós reservarmos um terço das nossas vagas de graduação para alunos do Exterior. Os rankings têm de ser analisados com esse cuidado. Na maioria dos rankings, contudo, a USP continua sendo a melhor universidade latino-americana.
JC - O novo Marco Legal da Lei de Inovação pode ser uma importante ferramenta para ajudar a driblar a falta de investimentos?
Vahan - As três universidades paulistas têm uma condição muito privilegiada em nível internacional. Nós temos autonomia financeira e administrativa, que nos permitem uma flexibilidade grande. Essa lei obviamente nos ajuda, mas nós já praticávamos vários de seus artigos antes. Atualmente, temos centenas de convênios com a iniciativa privada.
Quatro chapas
Quatro chapas disputaram a reitoria da USP para o próximo quadriênio. Além de Vahan Agopyan (que ganhou com 1.092 votos), concorreram também ao cargo, pela oposição, a socióloga Maria Arminda Nascimento Arruda, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH); o vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente, Ildo Sauer; e o filósofo Ricardo Terra, da FFLCH.
