Articulistas

Maçonaria e Proclamação da República: aspectos morais ontem e hoje

Waldir Ferraz de Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O dia 15 de novembro de 1889 amanheceu repleto de promessas cujo significado, na época, as massas pobres da população, composta basicamente de analfabetos e negros, recém-saídos da escravidão, desconheciam. Nos discursos propagandistas republicanos, anunciava-se o fim da tirania, representado pelo poder pessoal do imperador Pedro II, e o carcomido sistema de castas e privilégios acabava de ser posto por terra.

Na nova era inaugurada pela república, a construção de um futuro glorioso estava ao alcance de todos, num ambiente de menos injustiças e mais oportunidades gerais em que os cidadãos, chamados a participar da condução dos destinos nacionais teriam finalmente a vez, a voz e o voto.

A instalação de um estado republicano foi, sem dúvida, o fato histórico mais importante do país com a maior e efetiva ação da Maçonaria, reunindo na época líderes deste movimento, os maçons mais ilustres, enquanto homens íntegros que buscavam um ideal de governo que se converteu vitorioso sem se dar um único tiro, planejado ardilosamente no interior da Lojas.

Alguns historiadores mais críticos atribuem ao novo regime instalado na época em que as primeiras lâmpadas incandescentes de Thomaz Edson iluminavam as ruas do Rio de Janeiro como um autêntico golpe militar, mas essa convicção tem pouca relevância. Essa república, que veio assim, em meio ao delírio popular causado pela precisão dos fenômenos elétricos, trouxe ao país a expectativa geral da ordem e do progresso, a bonança esperançosa da paz, a reorganização do comércio e da indústria emergente, a perspectiva da modernização, se constituindo no principal instrumento capaz de gerar uma sociedade igualitária, justa e fraterna.

Decorridos 128 anos, há de se reconhecer que aquela república denominada "velha" em nada se parece com a atual, mergulhada no lamaçal da corrupção. Se outrora os governantes eram guiados pelos compromissos de honra propostos pelos ensinamentos maçônicos, hoje os atos ilícitos emporcalham o governo, sendo o próprio presidente o símbolo maior da vergonha nacional, não praticando aquilo que aprendeu e jurou defender, com as mãos sobre o Livro da Lei.

De para cá muita coisa mudou, sobretudo os personagens e seus ideais, o que é lamentável, mas as aspirações comuns da Ordem se manterão vivas e inalteráveis, que devem ser praticadas, sendo os autênticos maçons os obreiros abnegados para se propagar o bem, cuja missão deve ter o caráter da perpetuidade, pois o progresso e o aperfeiçoamento do ser humano resultam de ações dinâmicas de honra, de paz, de liberdade, sucessivas no desdobramento da vida, a ser sempre renovadas pelas gerações vindouras.

O autor é formado em História, membro da Loja “Deus, Pátria e Família” de Bauru e colaborador desta coluna.

Comentários

Comentários