Nacional

Temer avalia adiar reforma ministerial após reações contrárias


| Tempo de leitura: 3 min

O presidente Michel Temer admitiu a aliados que pode adiar o plano de fazer uma reforma ministerial mais ampla, envolvendo todos os ministros que pretendam disputas as eleições de 2018. O motivo é o impasse e a reação da base aliada, que disputa os cargos.

Nesta terça-feira (14), o presidente conversou sobre a reforma com diversos auxiliares e ministros. Mas não há consenso nem entre os principais assessores do presidente sobre o melhor timing para a mudança, tampouco sobre o tamanho da reforma.

O presidente Michel Temer havia decidiu condicionar a nova distribuição de cadeiras nos ministérios aos votos dados pelos partidos aliados para a reforma da Previdência. Empenhado em aprovar na Câmara mudanças no regime de aposentadoria até meados de dezembro, Temer quer deixar as trocas na equipe acertadas, mas só entregar efetivamente cargos para o Centrão ou outras siglas após conferir o painel de votação.

O governo aposta suas fichas na aprovação da proposta, mesmo que seja modificada. Considerada por setores econômicos a mudança estrutural mais importante, a reforma da Previdência enfrenta forte resistência no Congresso. O texto inicial, mais ambicioso, precisou ser desidratado. Atualmente, a negociação se concentra em fixar idade mínima para a aposentadoria e unificar as regras do funcionalismo público com as da iniciativa privada.

Se levada adiante pelo presidente, a decisão prejudicará ministros que não possuem mandatos, entre eles Gilberto Kassab (Ciência e Comunicações) e Marcos Pereira (Indústria). Fora do primeiro escalão, eles também ficam sem foro privilegiado e, caso sejam denunciados, terão de ser julgados na 1.ª instância. Ambos são citados por delatores da J&F.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a intenção de Temer, dizendo que pode atrapalhar a recuperação econômica do País e até mesmo o ambiente político. "Olhando de longe, acho que vai parar o governo. Trocar todos os ministros no final do ano, momento em que as ações mais importantes estão em andamento, vai dar um freio na execução de bons projetos", avaliou Maia, em entrevista à Agência Estado.

A opinião é compartilhada pelo líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB). "Será uma quebra de rito desnecessária e prejudicial, no momento em que estamos colhendo os frutos de uma agenda em desenvolvimento", argumentou Efraim.

Presidente licenciado do PSD, Kassab afirmou que respeitará qualquer decisão de Temer para tirar seus ministros antes do prazo, mas acha que não deve ser atingido pela reforma ministerial. Ele ainda não assumiu ser candidato. Em conversas reservadas, porém, tem demonstrado intenção de concorrer ao Senado. "Estou aguardando definição do senador José Serra (PSDB-SP) para analisar que rumo tomarei", disse Kassab, que conversou ontem com Temer.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), disputará a reeleição ao Senado e deve sair da equipe em dezembro. Já o tucano Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) quer concorrer a mais um mandato de deputado federal ou ao Senado, mas, neste caso, teria de migrar para o PMDB.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o "espólio dos tucanos" será dividido. "O PMDB, como o maior partido da base, seguramente deve ter mais espaço nessa recomposição", afirmou. O PMDB quer que Padilha acumule sua função com a Secretaria de Governo até a votação da reforma da Previdência.

Comentários

Comentários